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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Retomando - I


Que saudades do Blog!

O ano já vai acabar e eu não havia publicado mais nada, que lapso meu...
Mas cá estou para colocar as notícias em dia.
Depois de um tumultuado primeiro semestre, especialmente na parte financeira, pois nem todas as instituições pagam em dia, e nem todas acertam o valor do teu salário, passei um longo período de férias viajando e curtindo muito a vida. É isso que se deve fazer para desestressar geral. Deu certo. 
Com a mente mais leve, abri mão de entrar no programa de doutorado, o que não era só isso, era abrir mão de um grande sonho, mas que levou em conta a situação do país. Ia ganhar bolsa de estudos, mas e se o governo cortasse, quem pagaria a minha dívida já que eu não tinha mais aquela reserva financeira que antes eu tinha? Claro que se não houvesse um plano B eu não pensaria no "e se", eu iria de cabeça mesmo, como sempre faço nos projetos em que acredito, mas em termos de estabilidade, não me senti confortável com essa crise política do país. Pedi demissão por achar um desrespeito imenso o que fizeram comigo bagunçando as minhas finanças, e no final das contas me disseram: sim, vamos ficar te devendo, mas você pode recorrer aos seus direitos na justiça. Foi bom porque jamais vou me arrepender de ter saído de lá, apesar da saudade da parte boa, mas tudo tem um limite! E como o meu contrato de aluguel estava no fim, resolvi entregar o meu doce e lindo apartamento ao proprietário e sair de São Paulo. Se é para buscar uma mudança, que seja radical. Para quem pode, eu sei, ou...para quem precisa muito, como eu. Vim para o interior, estou respirando ar puro, fazendo tudo sem pegar ônibus, saindo de casa para os compromissos com no máximo 20 minutos de antecedência, resolvendo 2, 3 ou até 4 coisas por dia. Aqui isso é possível porque tudo é simples e muito mais prático. As pessoas confiam umas nas outras, dão bom dia sincero, quando chove dá pra sentir o cheiro de mato, o rio fica cheio, e passa pelo meio da cidade. A vida ficou mais humilde, mais leve, dá tempo para me exercitar, ler mais, dormir na rede, colher fruta no pé e muito mais. Parecia que 2015 seria um ano péssimo, mas a situação se reverteu de forma inesperada. 
Lição que fica? Plante as sementes do bem, e nada vai te segurar onde você está se você quer seguir em frente. Tudo tem solução. Meu futuro ainda está incerto para o próximo semestre, mas tenho certeza de que será ainda melhor. Ao invés de sofrer com o que será, estou vivendo e curtindo muito cada minuto, fazendo dele o melhor. 
Li uma frase muito sábia esses dias: "a felicidade não é fim, ela é o caminho". Concordo plenamente...
Não quero deixar para ser feliz depois, estou vivendo o aqui, agora. Deu certo até aqui!
Quem sabe depois eu conte mais detalhes sobre este novo estilo de vida, agora estou curtindo mais um pouco.

Inspiração não vai faltar para eu logo escrever de novo sobre minhas reflexões. Me aguardem!

Abraços,
Talita Godoy
03/11/2015        

domingo, 21 de junho de 2015

Desenhos - Valéria Oliveira



Desenhos 

Com muita alegria, apresento a seguir os desenhos da artista Valéria Oliveira, aluna do 5º semestre de Publicidade e Propaganda. Me sinto honrada e até mesmo privilegiada por ter visto seus desenhos e agradeço pela confiança que ela teve em mim ao enviar uma parte do seu trabalho e permitir a publicação no Blog. Dessa forma posso mostrar aos leitores um pouco do talento dessa pessoa incrivelmente dedicada em tudo o que faz, e admirar mais um pouco este dom, que considero tão especial.... 


Parabéns, Valéria, que as portas do sucesso estejam se abrindo para você!!!













































CRÉDITOS: VALÉRIA OLIVERIA
CONTATOS: valeriadrawings@hotmail.com



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domingo, 7 de junho de 2015

Exposição: 100 anos de garrafa

Genial! Mais uma ação de Marketing de uma das marcas mais famosas do mundo veio alegrar o feriadão dos paulistanos, no Parque Villa Lobos, neste final de semana.

Quem estava passeando por lá, deve ter visto a tenda gigantesca montada pela marca para receber os visitantes e apreciadores do seu produto, o refrigerante vendido há mais de cem anos, presente hoje em todo planeta, em comemoração aos 100 anos da sua inconfundível garrafa. 





Na chegada, uma recepção para distribuir os “ingressos”, onde o convidado deveria preencher seu nome, e-mail e duas perguntas-chave: o quanto você gosta do produto e se consome ou não.

Fui sincera ao responder: indiferente, para a primeira pergunta e sim para a segunda, embora prefira sempre evitar, como o fiz bravamente quando logo na primeira sala da exposição foi servido um exemplar mostrando a temperatura considerada ideal para consumo: bem gelada.

Gostoso só de olhar, por isso mesmo me contento em consumir apenas com os olhos e com a imaginação...!!! Dizem que se você engana o cérebro por meio dessas sensações, não é necessário comer ou beber para se saciar, ele recebe uma mensagem de “consumido” e te deixa feliz, do mesmo jeito. #Fica a dica!

A mesma experiência tive quando trabalhei um tempo pesquisando alimentos orgânicos. Assisti a alguns documentários que me deixaram tão impressionada que a partir dali deixei de consumir alguns produtos industrializados, ou reduzi bastante outros. Notei como fazem mal ao organismo, pelo menos o meu ficou mais alerta, e não sentiu falta de hambúrguer e refrigerante, menos ainda de frituras e outras guloseimas. Tudo isso junto, então, chegou a dar nojo pela bola que vira no estômago, indo tudo paro o saco, ou seja, sem contribuir de forma alguma para o bom funcionamento do organismo. 

Então qual o sentido de gastar dinheiro com essas coisas, além de enriquecer o dono da indústria e o setor de saúde, que irá me tratar depois que meu organismo adoecer?  Deixo para consumir apenas em ocasiões muito especiais, sempre em companhia de alguém, porque sozinha, devo ter feito isso menos do que uma vez por ano desde os anos 2000. E não sinto falta, que bom.

Mas entendo o fascínio das pessoas por certos alimentos e outros objetos de consumo em geral. O problema é a danada da divulgação, do Marketing, da propaganda em si, que, sendo bem feita, parece hipnotizar o consumidor. Cria tanta paixão, que mesmo não sendo o melhor do mundo é consumido como se fosse, justamente porque as pessoas amam aquilo. E dá até medo do que o marketing pode fazer por um produto ou marca quando acerta na fórmula do sucesso. Sem dúvida, é o caso da Coca-Cola.  




Não sei se para os outros a ação pode ser considerada sutil, mas achei bem clara a ideia de: divirtam-se e nos ajude, gratuitamente, a divulgar ainda mais a marca e a mantê-la no topo das paradas de sucesso! Isso por que nos fizeram, logo na entrada, quase jurar de pés juntos, que iríamos postar as fotos nas redes sociais com a hashtag determinada por eles e a frase ordem do dia. Esqueci, pois o moço bonito que pedia para repetirmos em coro percebeu que eu não ia fazer nada daquilo e ficou me encarando, talvez para me inibir ou me fazer mudar de ideia. 

Devo admitir que a estratégia é muito boa e funciona, tanto que estou participando aqui, no meu Blog.  

Em termos de Marketing é impressionante notar como a marca se firmou e se caminhou nestes 100 anos. Acertou na embalagem como ninguém. Não é só do refrigerante que as pessoas gostam, mas da cor, do formato, das variações temporárias que surgem para renovar, atualizar e manter a marca no topo, sempre voltando ao seu formato tradicional, já consagrado pelo público.





Refrigerante é o carro-chefe, mas na exposição foram mostrados outros objetos que carregam a marca para que ela seja vista como pop, atual, moderna, símbolo de status. Vimos obras de arte e artistas, por exemplo, brincando com a marca; até em guitarras e capas de disco elas já foram parar. Associadas com lanches rápidos de bronze, personalidades e obeliscos emblemáticos, distribuem a alegria da sua presença pelo mundo.

Senti falta dos anos 1980 na exposição: nada dos iô-iôs ou dos engradados com as garrafinhas miniaturas ou dos jingles tão famosos por aqui. Talvez seja uma exposição mundial, que privilegiou apenas o que foi produzido para a comemoração dos 100 anos da garrafa ou do que é famoso em todo mundo. Mas fez falta para o público brasileiro, creio que não apenas eu notei esse fato. Seria bacana rever antigos os comerciais, sempre um grande sucesso no recreio das escolas, onde a garotada cantava as musiquinhas e fazia jogos com elásticos, com as mãos ou em coreografias que a turma toda conhecia.

Falando assim, logo sou eu a comemorar 100 anos de vida...rs!




Foi ressaltado pelos monitores que nos acompanharam pela viagem ao passado, como foi projetada a garrafa, alguns dos outros modelos antigos, e o mais interessante, a experiência sensorial proporcionada aos visitantes que podiam sentir a temperatura ideal, tocar na garrafa giratória para perceber que de qualquer ângulo se percebe que é o refrigerante daquela marca, ou que mesmo em fragmentos é possível saber que trata-se de uma garrafa específica.

Em outra sala, quando a pessoa se aproximava da tela, sua imagem era refletida em relevo numa espécie de caixa de areia colorida tecnológica, muito bacana para fotografar, especialmente se fosse com a garrafinha na mão! Não para mim, mas para a maioria que fez questão de exibir o produto na imagem. E davam todo tempo do mundo para as fotos, sempre nos lembrando de postar nas redes sociais.  





E por falar em fotografia, quem resiste a uma dessas cabines de montagem que faz uma foto instantânea? Nem eu escapei, mas foi pela diversão e pelo retrato registrado com pessoas queridíssimas que estavam comigo: Claudio Patez, Washington, Domingos, Valérias I e II. 








E por falar em pessoas queridíssimas que estavam comigo... o programa foi um convite do Alexandre, do curso de Publicidade e Propaganda, que trabalhou no evento exibindo sua belíssima figura e simpatia! Além de eventos ele faz trabalhos como modelo fotográfico, desfiles e arrasa por aí. Foi generoso em dividir conosco a informação do evento, e de fato aprendemos mais sobre a marca, vivenciamos experiências divertidas e passamos um momento juntos que foi bastante agradável, sem contar a visita ao parque Villa Lobos em plena semana que se comemora o dia do Meio-Ambiente, pois sou fã do trabalho desenvolvido pelos irmãos, cujo nome do parque é uma homenagem.








Aliás, a instalação da tenda é estratégica, fica bem na entrada do parque junto à estação de trem, para não ter como não ver! Tudo extremamente bem pensado, com foco na ação de Marketing do começo ao fim. 

Não é à toa que a marca é líder no seu segmento e referência em Marketing para toda e qualquer outra empresa que queria saber como se faz uma boa divulgação, criar vínculos com o consumidor, lembrança, afeto e novos adeptos, sempre.

Parabéns pelos 100 anos da garrafa Coca-Cola e ao pessoal de Marketing, sempre incrível no que faz.

Talita Godoy
06/06/2015    

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dia do Meio Ambiente - 05 de junho



   Deveria ser feriado, mas não é. Como também deveria ser lembradoa todo instante, e quase nunca é, ao menos numa cidade como São Paulo, em que não sei o que acontece com o lixo seco que eu junto e jogo no latão de recicláveis. 

Ao passar pelo portão ele vai embora e quem sabe para aonde? 

E das nascentes dos rios, quem cuida? Há muitos anos conheci a do rio Tietê, em Salesópolis, interior do Estado. Era uma propriedade particular, mas parece que foi dominada por algum tipo de órgão público, na finalidade de preservá-la. Não inspirou muito a minha confiança não. 

Há muitos anos, também, tomei conhecimento da real situação do problema de uma iminente dalta de água em São Paulo. Eu, uma jovem estudante me perguntava por que o governo não tomava providências a tempo. Era ingênua demais, e ainda sou!  

Nos pedem para economizar como se houvesse salvação sem que eles façam urgentemente alguma coisa concreta - de concreto. E salve o dia do meio ambiente, numa cidade onde cada vez menos vemos o verde, ele sumiu em meio ao mercado imobiliário, que ainda não entrou no esquema de vigilância e por enquanto segue feliz e sorridente, mas o que deve ter de coisa errada ali, nem imagino... ou só imagino. 

Dia do meio ambiente para quê, se cada vez mais o que vemos é desmatamento, da Amazônia, por exemplo, continua. Alguém forte se importa? 
Precisam de mais lugar para o pasto, desmatam e dão muita água para o boi beber, imagina quanta? Você pode ficar sem, mas a criação de gado continua firme e forte, para o gado não vai faltar nada, nem água, nem pasto. 

Aparelhos eletrônicos também, sabe o quanto consomem de água para ser produzir qualquer um deles? Procure saber, é um susto descobrir que nos pedem para reduzir o consumo de água no que é básico, e até cortam ou fazem o rodízio que não é rodízio nos bairros mais pobres da cidade, sem tocar na produção dos eletrônicos. Talvez por que os impostos que as empresas pagam justifique a preferência. Para elas não vai faltar água, nem energia.

Estão produzindo mais uma usina geradora de energia no Pará. Já ouviu falar de Altamira? Belo Monte? Área ocupada por habitantes nativos que foram despejados sem a menor piedade. Quem se importa? E o lucro da usina, não vale mais? Não, não vale, desalojar pessoas da sua vida habitual me parece uma crueldade, nada seria compensador quando se fala de uma vida toda em que a pessoa luta para ter um pedaço de terra e de repente perde tudo para a construção de uma usina, bem ali, onde eles vivem. 

Índios? Quem se importa? Leva para outro lugar por que aqui vai passar o desenvolvimento, pe disso que o povo precisa. Que povo? Se eles podem viver com tão pouco, ou com nada, por que entramos nessa roda viva que é o consumo e não conseguimos mais puxar o freio???

Sabe que fiz isso de uns dois anos para cá? Experimentei viver com menos agonia, com menos consumo, e deu muito certo. Trabalhei menos, andei menos, gastei menos, fiquei mais em paz e continuo feliz do mesmo jeito. 

Não se pensa mais em qualidade de vida, ou mudram o seu sentido para o "ter". E para quê? Deixamos que o mercado nos diga tudo o que devemos fazer, seguir, como agir e até sobre o que falar, como pensar. Isso não é demais???

Outro dia, falando com um grupo de pessoas, os deixei impressionados com o meu pessimismo em relação a quase tudo: será possível gerar sustentabilidade para as próximas gerações? Há diversidade possível no mundo que se possa respeitar e viver em paz? O racismo e outros preconceitos são possíveis de se combater com leis? Educação no nosso país, tem chance de um dia acontecer de fato? 

Amor so próximo, então, esquece, não se sabe mais o que é isso. Como preservar a natureza se nem as pessoas se respeitam pelas ruas? Olhe em volta para ver o que digo, o tempo todo é notícia de crimes idiotas, cometidos por pessoas indignas, e no dia seguinte vão se repetir. Quanto vale a vida???

Crise de otimismo sim, ou melhor, de pessimismo, contudo, o que não admito é que sair do meu padrão e desistir de fazer a minha parte, pois se não posso mudar o mundo, posso ao menos criar um ambiente agradável para eu viver, e talvez por isso viva mais só do que acompanhada! A intolerância me atinge em cheio por vezes... Anda difícil encontrar pessoas com este mesmo foco. Gente com aparência boa tem de monte por aí, mas se importar de verdade com o meio ambiente, com valores simples que vêm de berço, isso anda meio difícil. 

Assisti a um vídeo que circulou esses dias, do filósofo Leandro Karnal comentando sobre a ilusão de muitas pessoas achando que o problema da corrupção do país se resolve tirando o partido político atual do poder. Ilusão acreditar que isso resolve, afinal, todo mundo comete atos ilícitos numa boa, achando que não tem problema, estamos no país da corrupção! Não há quem não cometa uma falha sem fazer aquela cara de "e daí"?! Não é a raça de políticos a única responsável pelo nível em que chegamos. E creio que ainda vamos afundar um pouco mais. Nem adianta rezar!

A coisa vai mal, e não é pelo meu momento de pessimismo que digo isso não, é porque vejo aquelas cenas de novela na vida real, um passando a perna no outro, armações que dão certo, maldades sem restrições, tudo pela sensação de poder, que também considero falsa, tanto como as pessoas que se julgam possuidoras dele. Que coisa ridícula, que feio puxar o tapete dos outros e sair de fininho, sem ser percebido. Será que dormem em paz? Pior que sim, ao menos eu acho. 

Em homenagem ao dia 05 de junho, assisti ao filme Xingu. Fiquei pensando por quanto tempo mais o povo indígena vai resistir e existir. Também havia lido uma grande reportagem da Revista Realidade sobre a Mamazônia, dos anos 1970, aliás, não apenas uma grande reportagem, as 150 páginas da revista deram espaço a uma edição especial, contando o que se passava por lá, denunciando a posse de terras e o desmatamento sem medida. Já naquela década o fato era visto como uma escandalosa destruição de um patrimônio sagrado da natureza. E assim, foi, e assim é até acabar - ou pretendem parar algum dia???




Não existem mais Vilas Boas, nem Chicos Mendes, nem aqueles poucos ícones da defesa da natureza e dos nativos. Parecem que todos morreram, ou restaramtão poucos que não se ouve nem falar quem são, mas a luta não foi em vão, isso me inspira.

   


Espero que o meio ambiente encontre forças para se vingar da destruição que causam a ele...duro é que todos sofrem as consequências, inclusive quem nada fez para prejudicá-lo. Sinceramente? Não quero estar aqui para ver. Sorte da minha mãe, que viveu os últimos anos numa cidade do interior, limpa, com muita água, cercada de pessoas de bem, e partiu para o seu fim da vida acreditando que nós ficaríamos bem. Sorte dela. 

Também espero por dias melhores, em que eu encontre mais uma vez uma causa pela qual lutar. Segurando uma bandeira se vai mais longe, se cria mais sentido para a vida. Por enquanto hoje minha alegria foi provar a mim mesma que não preciso viver trabalhando como louca para ter dinheiro, gastar tudo e sentir aquela falsa sensação de felicidade. Tirei o foco do consumo e parece que me acalmei, mas ver o mundo assim, como a coisa anda, é desanimador. 

Tudo bem se eu achar o botão para desligar a luz. Iludida sou mais feliz!

Recomendo os filmes "Xingu", sobre a saga dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas, criadores do Parque Nacional Xingu, em defesa dos índios, e "Amazônia em Chamas", sobre os seringueiros e o grande defensor da selva, Chico Mendes.

Procure saber o que citei acima, quanto custa um bife no seu prato, ou melhor, o processo todo, até que ele chegue lá. Também o custo de produção dos eletrônicos, em termos de meio ambiente.

E viva 05 de junho - Dia do Meio Ambiente....!!!


Aguardando por dias melhores - fazendo o mínmo para que eles existam...



Talita Godoy
04/06/2015


   


domingo, 31 de maio de 2015

Cigarro: nhaaaaaca!!!


Foi-se o tempo em que fumar era sinal de glamour, elegância, status - graças a Deus! Hoje fumar pega mal, você tem que se afastar das pessoas saudáveis, disfarçar que percebeu os olhares tortos e as torcidas de nariz de quem sente o cheiro forte que fica no seu cabelo, roupa, hálito. Até a pele de quem fuma tem um cheiro diferente. São os póros denunciando os maus tratos com o corpo. 

Com a lei antifumo, que priva o interior dos estabelecimentos para que o ar sujo da fumaça do cigarro fique restrita ao lado de fora, muita gente preferiu deixar para acender o cigarrinho depois e o depois ficava para mais depois ainda e - graças a Deus! muita gente reduziu a prática, alguns até mesmo deixaram de fumar. 

Economia de dinheiro, preservação da saúde - sua e dos outros - e redução para o Estado, que hoje atende a menos casos de doenças pulmonares, respiratórias e cardíacas. Isso comprovadamente, pode conferir.



Apesar deste texto, juro que na prática estou menos cruel com os fumantes. Na verdade estou convivendo há algum tempo com um grupo bem menor deles, e para a nossa alegria, encontro pouco esse povo durante sua prática - graças a Deus! 

Talvez seja só por isso, pois no final do ano passado convivi com pelos menos duas pessoas que me incomodaram muito: uma à minha direita e outra a minha esquerda. Saíam juntas para fumar e na volta...nem me lembre. Enquanto eles davam a merecida pausa, a qual eu também tinha direito, eu achava bom revezar, para não saírmos os três juntos, já que o nosso trabalho era em equipe. Nisso, eu fazia o meu trabalho, na volta eles faziam o deles, mas no fim do mês a conta não fechava: eu terminava o meu e ajudava no deles. O chefe não ligava, era amigo de fumaça deles dois. 

Na hora da entrada era um drama: ou eu me aproximava dos fumantes, dava beijinhos e tossia, ou passava ao largo, dando "oi" de longe, tapando o nariz em sinal de "socorro"!. Era a antisocial do grupo. Só eu não fumava, ao que parece. Fora isso, era tudo incrível, adorava a presença deles, ainda mais quando os três estavam juntos na labuta! Os demais colegas também formavam um time muito profissional, de alto nível e qualdiade no trabalho. Saí por outras razões e sinto falta, mas este episódio das paradas diárias para o cigarro, me deixam até agora intrigada.

Que força é essa que prende tanto as pessoas? Uma delas tinha deixado de fumar por ordens médicas, mas voltou à prática assim que se juntou com outros fumantes. Precisava? Adiantou eu aconselhar e até implicar por vários dias? Depois parei, em respeito  ao que considero uma escolha pessoal, embora me prejudique na qualidade de fumante passiva, e me afastasse a despeito de ser considerada uma chata. 

A média de fumantes está diminuindo aos poucos - graças a Deus! Mas o perigo agora se disfarça em "cigarro eletrônico", menos prejudicial à saúde, segundo um fumante que me contou dos benefícios. Eu perguntei se ele sabe dos componentes daquela droga, ele respondeu "ahã..." mas sabe nada! Trocaram um elemento por outros para atrair o público fumante do cigarro convencional. 

Enganados são mais felizes agora! Okay, fazer o quê?
Cada um faz as suas escolhas, tudo bem desde que respeitem os limites de quem não fuma, certo???


SALVE O DIA INTERNACIONAL SEM TABACO...!!!


PARABÉNS AO QUE LUTARAM CONTRA 
E CONSEGUIRAM DEIXAR DE FUMAR!!!





SAÚDE E PAZ A TODOS!


Talita Godoy
31/05/2015

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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dia de Pão



Num dia da semana qualquer, o que é que você faz?!
A maioria trabalha, e reclama da vida....outros aproveitam a falta de atividade remunerada para arranjar o que fazer. E foi o que eu fiz, vou lhes contar.

Tirei o dia para fazer pão. Ou melhor, para aprender essa loucura que é quebrar ovos, misturar a massa, derramar o leite, sovar e esperar pela mágica. 

Como num milagre, lá vem ela, a massa do pão que acabamos de formar repousa e cresce. Depois de muitos sopapos, solavancos, farinha nela, dá o ponto e é colocada numa caixa plástica, com tampa. 

Minha mãe cobria com pano de prato, mas não pode - a massa precisa umidecer, e o pano absorve a umidade. Melhor, segundo me ensinaram, é usar plástico filme cobrindo uma tigela ou colocar a massa numa caixa grande tampada, do tipo organizadora, sabe qual? 

Os utencílios da minha mãe eram de madeira, os da mãe dela também. Mas como descobriram que o mundo é infestados de germes e bactérias, o mercado criou o rolo e a tábua de PVC, ou de plástico, que adere menos coisa ruim do que a madeira. Faz sentido, embora minha mãe pudesse dizer "que nada"!

De todos os truques ensinados naquele curso, o mais interessante, na minha modesta opinião, foi o fato de ensinarem a fazer pão de graça e estimularem o negócio para quem precisa. 

E não por acaso o lema é: "mais do que dar o pão, ensinamos a fazer". Lembra daquela diferença entre dar o peixe e ensinar a pescar? A mesma coisa. 


Local privilegiado para uma padaria artesanal: 
Parque da Água Branca / zona oeste de São Paulo


Longe de mim fazer propaganda do governo, pois ando muito chateada com ele....devo admitir que por acaso encontrei um programa diferente e fui conferir - sendo de graça vou mesmo! E me surpreendi. A qualidade do material oferecido, camiseta eapostila, entre outros, a recepção com café da manhã e principalmente o resultado dos pães produzidos na aula, são de outro gabarito em relação ao que estamos, infelizmente, nos acostumando a ver em termos de programas do governo. 



Degustação das 10 receitas produzidasas no dia. 
Mágico para quem nunca tinha feito!


E não por acaso - parte II - sua dirigente é a senhora Lu Alckmin, que criou a "Padaria Artesanal", como ação do Fundo Social de Solidariedade do EStado de São Paulo. A sede fica no Parque da Água Branca, onde se oferece o curso de 8 horas, com certificado e muitos bons tratos aos alunos. 

Dia puxado, em que a mente não tem espaço e nem um segundo para pensar em mais nada, é foco na massa esperando o pão. O pão não, ao todo são 10 receitas, entre doces e salgados. Uma deliciosa terapia que me tirou do cotidiano para viver uma experiência inédita, que eu nunca havia imaginado. Simplesmente vi a oportunidade e fui.  

Claro que nao sei exatamente como funciona o Fundo Social, de onde vem os recursos, os produtos, o material todo, pois agora tudo no governo, seja em qualquer esfera, cheira mal, mas confesso que fiquei impressionada com o resultado - este sim cheira bem demais... Tanto que recomendo a todos que gostam de culinária ou queriam apenas ter um dia fora do comum. 

Esperava produzir um texto cheio de analogias, piadinhas ou trocadilhos, mas não quero mesmo elogiar o governo, quero apenas reconhecer algo bom e que acaba por ajudar pessoas que saem dalí com uma oportunidade de produzir para consumo ou para vender, quem sabe, com muitas dicas de higiene, cuidado com os alimentos, com a embalagem, cálculo dos gastos e da mão de obra, informações que não se têm todo dia por aí. Ok, admito que gostei sim.... E muito! 

Que outras iniciativas como esta se desenvolvam para fazer a diferença. 

#Fica a dica!





Tá vendo aquele ali? Ajudei a produzir...rs!!!



Para saber mais: procure o site do Fundo Social de Solidariedade - Padaria Artesanal. Para agendar sua vaga ligue para: 21938969 


Talita Godoy
20/05/2015

    
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Endomarketing na Semana Acadêmica de Comunicação


Semana da Comunicação apresenta palestra 
sobre Endomarketing


Endomarketing: quem sabe, quem faz? Ou ainda, poderíamos perguntar: quem sabe que faz???

A palestra proferida pelo consultor de RH da Universidade Anhembi Morumbi, Luiz Sábio, aos alunos de Marketing, Publicidade e Propaganda, período noturno, aconteceu na terça-feira, 26/5/2015, no auditório da UNIESP – unidade Centro Velho, ocasião em que se procurou responder estas e outras questões sobre Endomarketing, comunicação nas empresas.

Primeiramente, pudemos compreender o termo e sua origem: Endo, vem do latim, significa “para dentro, movimento interno”, portanto, atrelado ao Marketing sugere a expressão “Marketing interno”. Mas não é só um termo técnico, Luiz Sábio mostrou os efeitos possíveis quando uma empresa procura engajar seus colaboradores ao notarem que trabalham numa empresa que presta um bom produto ou serviço ao público externo e ao público interno, valorizando seu nome, como marca, e sua equipe.



                                                       Palestrante Luiz Sábio


Como consultor de RH, algumas verdades foram ditas, causando certo impacto no público, por exemplo, o fato de que atualmente muitos têm a oportunidade de concluir uma faculdade, mas será que é isso mesmo o que garante uma vaga? Ele deixou claro que cada um é cobrado pelo que se espera em um cargo ocupado, se a pessoa não tiver conteúdo, logo o mercado a excluirá. Não adianta achar que o outro tem sorte quando o que há é muito preparo. Com isso ele deu os parabéns aos presentes por estarem aproveitando seu tempo naquele momento, pensando no seu preparo pessoal e profissional, o que foi de grande incentivo para o público. 

Um dos pontos altos foi a interação dos alunos com o palestrante, sempre atentos e respondendo às perguntas intrigantes que eram feitas, como: de que forma a empresa onde você trabalha desenvolve ações de Endomarketing? A princípio poucos souberam responder, mas durante a conversa, foi possível notar que na verdade muitas empresas aplicam o Endomarketing, com ações do RH, mas não têm compreensão da técnica e nem contam com o setor de Marketing para desenvolver em conjunto uma ação mais dirigida e eficaz. Um simples comunicado pode ter efeito diferente quando elaborado de forma estratégica, indo além de informar, mas com o foco de engajar o colaborador em determinados casos.

As histórias pessoais e de trabalho que o palestrante contou, e a forma como ele o fez, prenderam a atenção de todos, por sua simpatia e desenvoltura, além do conteúdo que certamente fez com que os alunos saíssem dali com uma visão bem mais apurada do assunto e com uma forte injeção de ânimo. Luiz Sábio contou sua trajetória de vida, nada fácil, mas vitoriosa, por persistir nos seus sonhos e sempre se preparar para cumprir metas e alcançar os objetivos. Deixou a todos uma grande lição de vida e estímulo para seguirmos em frente!




Público interagindo com o palestrante Luiz Sábio 



No encerramento, Luiz Sábio deixou duas frases para reflexão:

“Se você acha a educação cara, experimente a ignorância” - Derek Curtis Box, Reitor de Harvard, 1971 – 1991  

“Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade” – Sêneca



Além dos alunos, estiveram presentes os professores Amanda Pellini, Alexandra Soares, José Ruiz, com destaque à presença do aluno Domingos filho, do curso de Publicidade e Propaganda matutino - sempre em busca de informação e conhecimento. 

Aproveito para agradecer ao apoio técnico dos colaboradores Isaías e Nice, que também é aluna do curso de Marketing e aproveitou para assistir a palestra, além da presença do consultor Luiz Sábio, que arrasou na sua apresentação. Que venham outras palestras e aulas!

Fica o convite aos alunos para que, seguindo os conselhos do palestrante Luiz Sábio, aproveitem mais o seu tempo quando oportunidades como esta surgirem.



CONTATO LUIZ SÁBIO: sabioluiz@yahoo.com.br



Talita Godoy 
27/5/15

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Cinco anos de Talita Comunica



Maio. Cinco anos de Blog!

Nas comemorações anteriores apenas repliquei alguns dos meus textos preferidos. Para 2015 pensei em algo novo, novo mesmo: criar mais um Blog. Será que dou conta???

Este surgiu por uma necessidade de ocupação da mente, ou talvez de esvaziamento de algumas inquietações. Melhor termo seria compartilhamento de ideias, mas tão simples que em nada alteram o mundo externo ao meu. 

Depois veio a ideia de suprir a necessidade dos alunos em ter um lugar ao sol para consultar minhas falas em sala de aula, daí o nome: "aula resumida". Bem resumida mesmo... e na maior parte não é bem a minha fala, mas a de Kotler, Cobra, do Sebrae, da Tracto, do PDV Ativo e tantos outras fomtes que consulto para elaborar o material. Às vezes esqueço de fazer a referência, mas não é por mal, é um pequeno deslize em função da correira que é ler, selecionar, procurar, indicar, apagar, trocar, responder, fazer outra e outra... enfim, crédito seja dado a cada um dos autores que utilizo e aos anônimos que têm muita utilidade no acréscimo de informações que vamos reciclando ao longo do dia. 

Pois bem, talvez agora surja um espaço para eu jogar assunto do dia a dia, que tanto me incomoda nessa grande metrópole que eu amo, São Paulo. Comecei a olhar de um jeito diferente, que seria bom registrar, nem que seja apenas para aliviar a minha alma, como fiz no texto da passeata, criticado por algumas pessoas por razões políticas, como se política fosse algo apenas partidário. 

Este blog tem um foco, e se eu falar de tudo este foco ficará míope. Provavelmente a melhor opção seja mesmo criar um terceiro blog, apenas para dividir os assuntos: comunicação, administração e cultura ficam aqui, resumo das aulas para os alunos e interessados em geral ficam no blog aula resumida e o cotidiano dessa minha jornada paulistana ficaria numa outra esfera. Se criar coragem, crio. Duro é manter, alimentar mais vezes, como eu gostaria. E onde caberá o meu momento de ócio criativo?

Estou pensando.......rs!


P.S: Atingimos recentemente a marca de 25 mil visualizações!!! Grande número para um blog tão singelo......Bloggear é uma delícia, por que você não experimenta também??? Eu faço e recomendo!


Abraços e obrigada por apreciarem!!!

Talita
19/05/2015


&

terça-feira, 12 de maio de 2015

Debate público sobre trabalho escravo e terceirização



Veja no link abaixo notícia sobre audiência pública, a se realizar em 15/05/2015.

Acompanhe, participe!!!

SINPRO-SP

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Livro: "O rádio com sotaque paulista"



Que sotaque você tem, já parou para pensar? 
E o seu rádio, que sotaque tem?

   Do professor Dr. Antonio Adami tem sotaque paulista, especialmente depois de 11 anos de pesquisa, o que resultou no seu segundo Pós-Doutorado em Comunicação. E como coroação desse trabalho, surgiu o livro, recentemente lançado em São Paulo, na Fenac de Pinheiros - "O rádio com sotaque paulista" - pauliceia radiofônica, como ele mesmo se refere à sua aventura pelas rádios do Estado.

   Sua narrativa vai desde os anos 1920, mais precisamente em 1923, com a primeira rádio do Estado de São Paulo, a Sociedade Rádio Educadora Paulista, até 1959, fechando o período de pesquisas com a Rádio Comercial de Presidente Prudente, entre outras. Já imaginou quantas surgiram nesse meio tempo? 





Capa do livro "O rádio com sotaque paulista"


   O leitor descobrirá nas 160 páginas da obra, que vai muito além de uma listagem de rádios: o livro traz histórias, fotografias, citações de personaldiaes, cópia de documentos e curiosidades engraçadas para o nosso tempo, além do relato de alguns dos profissionais da época. 

   Mesmo com o surgimento da TV, o rádio continuou com audiência fiel, sempre encantando seus ouvintes  por meio de músicas e histórias que emocionavam, programação de notícias e informações de utilidade pública. E ainda hoje continua provocando a mesma paixão, ainda que seu público tenha tantas outras atrações para o seduzir. 

   Justamente por seu poder de tocar os corações, e por ser ele mesmo, Antonio Adami, um profundo admirador deste veículo, surgiu o desejo de produzir um registro das rádios, lembrando seus fundadores, primeiros Speakers, os reis e as rainhas do rádio, e sempre que possível incluir memórias de quem participou daquela época e contribuiu para marcar a história do rádio no Brasil,  parte da nossa história.

   Seu livro, portanto, pode ser considerada uma coletânea cronológica das rádios, porém, repleta de memórias. Por meio das entrevistas que o autor realizou, das fotografias, das lembranças dos profissionais e dos artistas da época, temos hoje em mãos um material que elucida a real importância do rádio para o seu público num registro que não deixará tais lembranças se perderem no tempo. 



Prof. Dr. Antonio Adami e o "Speaker" dos anos 1930, Mario Fanucchi, no lançamento do livro, na Fnac de Pinheiros - abril/2015. 


   Memória - este é um dos pontos mais importantes de "O rádio com sotaque paulista", como cita Mário Fanucchi no prefácio, e Lúcia Santaella, na apresentação do livro, que ressalta a "voz no rádio" como diferencial desta mídia e a importância de termos em mãos sua memória, agora registrada pelo amigo Antonio Adami. 


Parabéns, professor!





  Orelha do livro, com informações sobre o autor, Antonio Adami


ESTA OBRA NÃO PODE FALTAR NA SUA ESTANTE!

-  O LIVRO PODE SER ADQUIRIDO POR AQUI, ENTRE EM CONTATO CONOSCO: talitafgodoy@gmail.com 

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Talita Godoy
07/05/2015

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lembranças e Provocações

Estamos só no mês de abril, e 2015 já ficou marcado pelas perdas recentes na área da cultura e do entretenimento. 

Mas o que perdemos foi o fator humano, nas pessoas de José Rico, Maria Della Costa, Roberto Talma, Inezita Barroso (aos 90 anos), e ontem foi a vez de Antonio Abujanra (83 anos). Eles se foram, mas não a sua obra, que os eterniza como sendo o nosso legado, sua contribuição para a cultura nacional. 

O último dessa pequena lista, pois ela ainda é maior, tinha um programa na TV Cultura cujo nome me chamou bastante a atenção assim que soube, há mais de 10 anos: "Provocações". A cada semana um convidado, famoso na mídia ou nenhum pouco, sentava-se do outro lado da mesa do entrevistador, que desafiava o entrevistado com perguntas sobre sua vida, seu trabalho ou obra, e abria um leque de questões gerais - sempre as mesmas - o que me fazia comparar a resposta de cada um deles para a mesma pergunta. Provocações do tipo: "qual a sua maior transgressão já cometida, diga-nos, ou vamos imaginar algo muito pior..."! Alguns ficavam visivelmente surpresos e constrangidos, numa curta saia-justa, outros riam ou simplesmente confessavam seus pecados, dividindo com o público histórias inéditas. Ou: "o que é a vida..."? Perguntava uma vez. Fosse qual fosse a resposta do entrevistado, logo em seguida ele a ignorava e voltava a perguntar: "...fuano, o que é a vida..."? 

Surpresos, alguns mantinham a resposta anterior, outros melhoravam um pouco a sua ideia resumida de vida, ou ainda diziam o posto da resposta dada. Não importava quem estivesse ali, sentado à sua frente, a conversa fluia de forma aberta, franca, algumas vezes dando a última palavra ao convidado para olhar na lente da câmera, como se fosse o seu espelho, e pudesse dizer ao mundo, uma vez apenas, tudo o que ele gostaria de dizer, uma espécie de recado à humanidade, embora pudesse não resultar em nada. Vinham frases, opiniões, conselhos diversos, e enfim, especilamente nos programas dos últimos anos, ele chamava o convidado para um abraço e uma foto. Dizia ele: "vem cá me dar um abraço, que é a única coisa falsa deste programa...vamos tirar uma foto que não vai aparecer em lugar algum, a não ser que você ou eu morra logo depois do programa, aí sim a imprensa vai noticiar como o último registro seu em vida...". 

Eu achava essa parte excelente, pois ele abraçava mesmo e posava para a foto tão gentilmente, como se estivesse profetizando o fim, mas no fundo acho eu que era uma forma de ironizar a imprensa que sempre faz isso, inclusive já deixa preparado um dossiê sobre aquela pessoa importante que está velhinha, internada, e a qualquer momento protagonizará seu último evento: o de morte. É estranho, mas é assim que a mídia faz! No caso dele, creio que a foto e o comentário, no fundo, era para um álbum pessoal, em que ele registrava sua própria história, recebia pessoas importantes mesmo que a sociedade não as conhecesse. Vi no programa pessoas de diversas áreas de atuação profissional, músicos e atores desconhecidos pelo grande público, pessoas atuantes na área social, escritores, autores de teatro, pessoas das antigas, que vinham para tirar do baú grandes histórias e militantes políticos, pessoas que lutaram contra a ditadura e agora podiam falar tudo para a nova geração. 

Agora vejo, por meio deste singelo balanço do programa Provocações, o quanto pude adquirir de novos conceitos, opiniões e conhecimentos que se juntaram a minha pequena bagagem cultural. E que pena reparar que são poucas programações assim, que de fato contribuem com o telespectador, que o fazem pensar em temas incomuns, como por exemplo quando ele perguntava, a muitos entrevistados: "Quem mais fez mal à humanidade: a igreja ou os bancos"? Já parou para pensar na forte influência que estas instituições exercem sobre nós até hoje? E por último, vinha a pergunta que ninguém parecia apreciar responder, quiçá por nunca ter parado antes para pensar no assunto: "Como você gostaria de morrer, seria no hospital, com aqueles tubos e fios no nariz..."? Ente tantas respostas que ele ouviu, acabou de certa forma atraindo para si a morte em sua casa, de forma repentina, num ataque cardíaco fulminante, o que nos dá a impressão de ter sido algo rápido, embora não seja possível imaginar se doeu, ou o quanto, se foi dormindo e sem tanto sofrimento. De toda forma, fica a lembrança de uma vida repleta de bons momentos para a cultura brasileira, do filósofo e jornalista que tão bem desenvolveu diversos ofícios - aliás, ele é lembrado como ator sendo que começou a carreira aos 55 anos de idade - e conseguiu deixar sua marca na história artística do país. 

E assim como o programa "Viola, minha viola", de Inezita Barroso, que a TV Cultura continua reprisando, outras emissoras públicas já passavam programas mais antigos de Abujanra, como a TV Brasil (63.1, da TV aberta) e o canal Multicultura (2.3 da TV aberta). Espero que continuem, assim, quem ainda não tinha descoberto a riqueza deste eterno provocador, poderá procurar (também nos canais de vídeo e no site da TV Cultura) as aparições marcantes deste que partiu ontem, mas deixou um legado cultural de inestimável valor: provocações a se refletir, por isso a sua falta, ao menos para mim, será tão sentida. 
Meus sentimentos à família e amigos, e que as boas lembranças nos ocupem as emoções neste momento. 


E que venham outros pensadores a nos provocar!!!   










Foto: internet

Talita Godoy
29/04/2015


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