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terça-feira, 26 de abril de 2016

Reflexões e Teorias da Comunicação - Parte II



Reflexões e Teorias da comunicação
(Continuando - Parte II)


Comunicação como processo social

Após analisar o modelo de Shannon, estudiosos americanos passaram a considerar o processo de comunicação social.
Levaram em conta: a palavra, o gesto, a mímica, o espaço físico, contexto, status e outros aspectos indissociáveis na comunicação.
Até mesmo em silêncio, comunica-se algo.
Esta conclusão partiu por volta dos anos 50 como resultado dos estudos de norte americanos em áreas interdisciplinares, como sociologia, psicologia, linguística, antropologia e matemática. 
Cada povo carrega sua própria cultura e suas regras de comunicação, o que foi notado pelo sociólogo Erving Goffman.


Para refletir

Ao chegar em outro país você nota que os costumes são diferentes. Como agir? Procura se inteirar para seguir os costumes ou mantém seus próprios hábitos, afinal você é um visitante? Você respeita os costumes e as tradições locais, pois você está na terra deles ou espera que eles sejam compreensivos com a sua cultura e que o permitam agir como se estivesse no seu país, de cultura e tradições diferentes?
Em que ou de que forma a diferença cultural pode interferir na comunicação entre duas pessoas de origens distintas? 


A Escola de Palo Alto

Goffman, sociólogo da corrente do interacionismo simbólico, estabelece as premissas para pensar a comunicação humana como uma interação, tendo em conta as regras e as estratégias do jogo.
Cada indivíduo pode querer manipular as regras para benefício próprio e construir um papel de si próprio que lhe permita impor uma melhor imagem. Cada um coloca em cena uma imagem de si, constrói um papel.
Surge a sociologia interacionista estudada na Escola de Palo Alto, na Califórnia, que considera a comunicação um processo integrador, indo além do modelo de comunicação simplesmente linear, pois comunicar é construir um sentido e criar interação. 

Indo além da comunicação interacional, e do modelo de Shannon, o pesquisador Yves Wikin leva em consideração as grandes estruturas sociais, classes e grupos determinados, relações de poder e a influência da mídia (meios massivos de comunicação).
Estes estudos abrem caminhos para questões como: os meios massivos têm poder para orientar ou provocar condutas e impor modas, ou, pelo contrário, expressam desejos, fantasias ou interesses já existentes no público? 
Um dos aspectos centrais dos estudos em comunicação consiste em indagar as relações entre sociedade e os meios de comunicação de massa.
As transformações sociais, políticas, econômicas e ideológicas que se verificam a partir da revolução industrial – e que se intensificam de maneira considerável na Europa e nos Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XIX – dão lugar ao que se conhece como sociedade de massa.


Características da Sociedade de Massa

- Expansão do sistema capitalista industrial;
- Divisão e especialização do trabalho, maior demanda de trabalhadores e de qualificação profissional;
- Expansão da alfabetização e criação de sistemas educacionais;
- Complexidade das estruturas sociais;
- Integração e desenvolvimento dos mercados e das cidades;
- Crescimento da população;
- Organização da ordem social (o indivíduo, a justiça social, o trabalho regulamentado, a igualdade);
- Invenções tecnológicas permanentes.   



Comunicação de massa e sociedade

As grandes transformações econômicas criam condições para acesso progressivo de vastos setores da população aos direitos civis e políticos (como o direito ao voto e à educação).
O barateamento dos custos de produção e a alfabetização favorecem a distribuição massiva de bens culturais a um público ávido por consumir.
No final do século XX, crescem significativamente a circulação de periódicos (jornais e revistas), as edições populares de livros e as novelas impressas. Nasce, assim, a sociedade e a cultura de massa.

No começo da década de 1920, o rádio e o cinema se integram à vida de gente comum.








Apocalípticos e Integrados

Apocalípticos: Sentem nostalgia por uma época em que os valores culturais eram privilégio de uma classe. O condicionamento industrial que reproduz as expressões culturais, sustentam, é prejudicial. Seu olhar é desconfiado e conservador, por isso rechaçam qualquer modificação do que já existia e dirigem seus ataques à cultura de massa.
Integrados: Estes, segundo Umberto Eco, carecem de uma visão crítica: não se perguntam pelos interesses políticos e econômicos que sustentam as manifestações da cultura de massa (ou popular). Tão pouco indagam quem gera os produtos culturais e com que consequências. Pecam por certo “liberalismo cultural”. Supõem que a circulação livre e intensa é, em si, naturalmente boa e resulta em benefícios para a sociedade.


Sociedade Industrial

A cultura de massas é boa ou ruim? A cultura elitizada perdeu o seu valor?
Não seria melhor perguntar que ações e intervenções podem se dar para que os meios massivos de comunicação sejam veículos de valores positivos ao invés de simplesmente tentar barra-los ou julgá-los?
A cultura de massa é algo sem volta, tornou-se um produto industrial, direcionado a uma sociedade industrial que consome o produto cultura. 


Para refletir

O que é cultura?
Existe cultura boa ou ruim?
Uma pode ser melhor do que a outra ou que muda é o gosto pessoal, o nível de informação e a tradição de cada povo?
O que é sociedade? Por que e como ela se segmenta? 






O Funcionalismo

A Primeira Guerra Mundial dá início a um grande processo de industrialização e desenvolvimento tecnológico nos Estados Unidos, incluindo o campo da comunicação, que proporciona trocas culturais, estudadas pela sociologia funcionalista.
Na década de 1920 se dão as primeiras transmissões de rádio, sendo, em pouco tempo, colocadas em atividade mais de 600 estações de rádios comerciais.
No período entre guerras o funcionalismo intensifica seus estudos sobre a forma com que determinados fenômenos sociais afetam o funcionamento, a adaptação e a adequação normal de um sistema social.


Publicidade

A partir de 1919, a publicidade se converte em um fator econômico fundamental. A produção de bens em grande escala reduz os preços, mas a manutenção da demanda a longo prazo obriga a gerar mecanismos de identificação por meio da publicidade.


Comunicação Estratégica

A grande Depressão Econômica dos anos 1930, obriga ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt (1882-1945) a impulsionar uma reativação da sua política econômica e social. O plano era propor mais empregos e aumento aquisitivo para gerar maior consumo interno.
Reforçando a imagem de “país em pleno crescimento”, e contando com a população que acreditava nisso, cada vez mais pessoas foram apoiando sua política, favorecendo o plano em ação.
A opinião pública passa a ter papel fundamental. Para incentivá-la, são criadas estratégias de comunicação originais.
Uma estratégia publicitária e uma campanha eleitoral podem gerar, a curto prazo, modificações na conduta dos cidadãos, conforme estudos funcionalistas mostravam.


Mass Communication Research

A corrente funcionalista aplicada à comunicação de massa, conhecida como Mass Communication Research, reúne um grupo de investigadores com o propósito de conhecer a influência dos meios de comunicação sobre os indivíduos e a sociedade.
Estuda a comunicação de massas com os métodos das ciências experimentais (análise empírica) empregados na sociologia americana.
Esta corrente assemelha o funcionamento da sociedade a um organismo vivo: afirmam que a sociedade é um organismo vivo, composto por partes independentes que se influenciam mutuamente para manter o equilíbrio e buscar a harmonia em caso de desequilíbrios.
Desta corrente surgem expressões como “corpo social” e “célula básica da sociedade”.


Estudos dos Efeitos


    -  Analisar de maneira exaustiva os efeitos que se pretende alcançar;
-  Conhecer as características específicas dos receptores-consumidores;
- Estudar o desenvolvimento de mensagens apropriadas para que cheguem ao público e produzam os efeitos desejados
-  Medir resultados para retroalimentar o processo e melhorar as estratégias










FONTE: 





sexta-feira, 15 de abril de 2016

Reflexões e teorias da comunicação - Parte I



REFLEXÕES E TEORIAS DA COMUNICAÇÃO



O que é comunicação?
  •   Meio de interagir socialmente?
  •   Meio de criar laços afetivos entre pessoas e grupos?
  •   Meio de expressão de sentimentos, pensamentos e outros?
  •   Estratégia para exposição de ideologias?
  •   A comunicação é um meio ou um fim? 

Como se dá a comunicação?
  •   Via tecnologia: telefone celular, internet, redes sociais;
  •   Veículos de massa tradicionais: televisão, rádio, jornal impresso, revista;
  •   Por meio da arte: música, poesia, artes plásticas,
  •   De forma interpessoal: meio verbal (uso da linguagem falada ou escrita) e não verbal (postura corporal, gestos, movimento facial, vestimenta, comportamento). 


·         O que você observa na figura abaixo?  As pessoas estão interagindo?  Há sinais de comunicação verbal e/ou não verbal? Você é capaz de se expressar em silêncio?







Definição de Comunicação:

Algumas delas: compartilhar, tornar comum, dialogar, trocar informações, dar e receber feedback.

A comunicação vai além do fornecimento de dados e informações. Ela indica “ação” (como numa via de mão dupla, onde há uma resposta).

Para Aristóteles, o objetivo da comunicação é persuadir, influenciar.

A oratória é a arte da persuasão por meio da palavra falada. Segundo os gregos, o político não só deve ter bons argumentos como deve, também, convencer seu auditório.

Campos de estudos da comunicação: funcionamento social, poder, conhecimento, política, democracia, economia, tecnologia, psicologia.



Comunicação em ação

Estudar o fenômeno da comunicação implica considerar a forma em que se estruturam, produzem e recepcionam os diferentes tipos de mensagens. Também se pode centrar no estudo das ideias e valores que circulam através dos meios e as relações de poder que se vinculam através deles.

Também se pode analisar as possibilidades de produzir, receber e de participação nas mensagens, conforme determinados grupos, classes e nacionalidades;

Além da reflexão acerca das tecnologias, a comunicação aborda o estudo e análise dos acessos e usos que se dão a essas ferramentas pelos distintos atores e setores sociais.

A reflexão sobre a comunicação como fenômeno social data de tempos remotos. A sociedade é impensável sem comunicação e, como toda atividade humana, é uma prática completa e cheia de aspectos fascinantes.
A intensa atividade política na antiga Grécia obrigou a sistematizar o processo de comunicação. O objetivo: convencer o auditório. Em sua “Retórica”, Aristóteles define os componentes da comunicação:






Os termos “Comunicar” e “Comunicação” aparecem pela primeira vez na língua francesa na segunda metade do século XIV.
Em seu sentido básico, supõem uma ação comunitária de participar em comum, colocar em relação e remetem ao vocábulo latino “communicare”. Em inglês, são provenientes da raiz “communis”.
Ao se comunicar, as pessoas coparticipam, convivem. Na Idade Média adotou-se à ação de comunicar o sentido de “atuar em comum”.
A palavra “religião” tem um sentido parecido: vem do latim, “religare”, reunir, juntar.

Influências do capitalismo

O capitalismo comercial provocou mudanças no sentido “comunitário” da expressão. No século XV, os objetos de uso diário se tornam “mercadorias”, bens que se podem comprar e vender. E nesse contexto, a ideia de comunicação se translada a um objeto, torna-se algo que pode ser trocado, comercializado.

O capitalismo industrial, a partir do século XVII, e fundamentalmente do século XVIII, gera um crescimento nas fábricas, na produção e no consumo. O comércio cada vez maior de mercadorias requer o desenvolvimento de sistemas e canais eficazes para seu tráfego.

Transmissão

O termo comunicar – originalmente ligado a ideia de compartilhar, participar em comum ou colocar em relação – se entende como transmissão de um ponto a outro. Este significado predomina no século XIX com o surgimento da prensa e logo, no século XX, com o surgimento de meios de comunicação massiva (ou de massa).

Meios de comunicação: rádio, televisão, jornais, revistas e outros, num processo unidirecional.


Teoria Matemática de Shannon

A teoria matemática da informação foi desenvolvida em 1948, pelo engenheiro eletrotécnico e matemático Claude Elwood Shannon e Waren Weaver, com o desafio de encontrar uma maneira de comunicar a maior quantidade de mensagens com a menor interferência e o menor custo possível. A preocupação não é com a parte humana, e sim com a tecnológica.


Elementos da comunicação

Mensagem: se refere a palavra mesma, ou o sinal utilizado (falada, escrita);
Codificador ou emissor: aparato que transforma a informação em uma modulação física suscetível de ser transmitida por um canal. Por exemplo, o telefone transforma a voz em oscilações elétricas, quer dizer, cumpre a função das cordas vocais sobre a voz falada;
Canal: é o meio utilizado para transmitir o sinal desde o emissor ao receptor;
Decodificador ou receptor: efetua, geralmente, a operação inversa à realizada pelo emissor, decodificando o sinal para construir a mensagem (interpretação, compreensão da informação que lhe foi passada);
Destino ou destinatário: pessoa a quem chega a mensagem;
Ruído: qualquer fenômeno perturbador que venha a interferir na recepção.
  



Ruídos na comunicação

O ruído é a presença externa e aleatória de interferências que impedem a perfeita correspondência entre os polos na comunicação (emissor e receptor).

À medida em que o ruído aumenta, a comunicação se torna menos eficaz.

O conceito de comunicação é, portanto, oposto ao conceito de ruído.

A informação é a quantidade mínima de unidades que permitem ao receptor reconstruir a mensagem de maneira correta.

Quanto mais clara a informação, menos elementos se necessitam para ser compreendida, e mais protegida contra os ruídos.

O ruído causa distorções que podem comprometer a boa recepção da mensagem.

O modelo matemático de Shannon considera apenas os fatores técnicos da comunicação, não considerando os aspectos humanos envolvidos.


 Feedback

Norbert Wiener (1894 – 1964) foi professor de Shannon. Ele trabalhou a noção de feedback em 1948, vendo o processo de comunicação pelo viés sociológico, ou seja, pelas condutas humanas e sociais, o que se distancia do esquema linear de Shannon.

O feedback implica naquilo que chega no final do processo de comunicação, que provoca uma reação no receptor. Esta reação também pode influir no polo emissor.

O esquema de Wiener surge de uma preocupação pelo funcionamento técnico das máquinas. Por isso, quando se transmite, a comunicação humana pode parecer algo abstrato.

Por exemplo numa briga: um fala alto, o outro responde alto também, e o primeiro aumenta ainda mais o tom de voz e assim sucessivamente (retroação positiva, onde ambos fazem o mesmo). Em vez de elevar a voz, um deles poderia simplesmente reclamar, de forma educada ou pedir desculpas e não reagir elevando a voz, como o outro (retroação negativa).


Assunto amplo que não para por aí!

Saiba mais em:








FONTE: Comunicacion para principiantes



***

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Arboretum - Botanic Garden



Há muito tempo eu não me sentia tão encantada num lugar como neste parque chamado Arboretum. Inicialmente a área era parte de uma casa de campo, de um homem extremamente rico e amante profundo da natureza.  Ele preservou o lugar, transformando-o num parque para visitação pública. Inclusive sua antiga casa ainda está lá, aberta para os interessados saberem mais sobre sua origem, sua trajetória e conquistas. Por um lapso da minha parte, não produzi este texto antes, enquanto as informações estavam frescas na memória e o folheto de informações ainda estava em minhas mãos. Mas, falha minha a parte – durante uma pausa de descanso como jornalista por formação – o mais importante é descrever o que não saiu da memória, justamente por que ainda consta no sentimento que aquele lugar trouxe à minha alma.



Por falar em encantamento, teve o visual, que é a primeira observação que faço ao chegar num lugar novo. Ele é extremamente amplo, tem vasos imensos com plantas e flores coloridas, espalhados em pontos específicos pelo caminho do visitante. O parque em si é um grande jardim bem cuidado, colorido, com muitos tons de verde e diferentes flores. Sua ornamentação é, de fato, muito agradável aos olhos. E parece não terminar, a cada volta, uma surpresa.



O segundo encantamento foi o olfativo. Plantas, flores, árvores...dão ao lugar um perfume único de ar puro, natureza viva, conservada pelo homem para nos lembrar que esse é o nosso dever, cuidar dela como se fosse o nosso maior tesouro na Terra. Não era apenas um cheiro, mas um perfume todo especial de natureza que ainda sinto quando lembro do lugar.

O terceiro modo de encantamento que senti naquele parque foi o auditivo. Um silêncio que era sinônimo de paz na alma! Ao mesmo tempo o som da natureza quebrando o silêncio, mas fazendo parte dele, compondo uma música de fundo para aquele cenário tão lindo. Podia-se ouvir o som dos pássaros, das árvores balançando suas folhas ao vento ou dos galhos se mexendo com o pulo das aves, que saltavam sorrateiramente entre as folhagens, ou mesmo de pequenos habitantes como os esquilos, que atravessavam o caminho ou brincavam nas imensas áreas de grama perto da área de descanso dos visitantes.

Um espetáculo da natureza, moldado pela mão humana. Assim podemos definir o parque Arboretum, lugar que vale muito a pena conhecer. Quem sabe um dia eu volte em plena primavera, imagina? Mesmo no inverno, dizem que a paisagem continua linda, com outro tipo de vegetação que brota só agora. Como fui conhecer o parque no verão passado e agora estamos no inverno, creio que ainda é possível planejar uma meta de visitar o parque nas quatro estações e só depois apontar qual delas é a minha preferida! Fica a dica para as minhas sisters...rs!










Informações:

Dallasarboretum.org



Agosto / 2015

UMA TIA NO RINGUE






Ontem assisti pela TV o evento esportivo UFC Fihgt Night. Uma série de lutas que combinam Jiu-Jitsu com Muay Thai , o que não certos golpes - como dedo no olho – visto no episódio em que Velasquez o fez por duas vezes, e mesmo assim foi campeão. Achei muito injusto, mas esportes têm disso também.
Achei incrível como a emoção de ter assistido ao vivo nem se compara com assistir agora pela TV. Também fiquei impressionada como 15 dias em contato com o Muay Thai mudou minha visão sobre o esporte. E acompanhar os treinos dos meus sobrinhos, ainda que de forma distante, também me fizeram ver o Jiu-Jitsu com outros olhos.
Eis um fator na minha vida pessoal que amo: assumo que às vezes tenho até mesmo um certo preconceito com aquilo que não conheço, mas procuro não virar a cara simplesmente detestando alguma coisa; na maioria dos casos prefiro dar uma chance para descobrir algo novo, desmistificar o desconhecido. Algumas vezes me surpreendo, como no caso da Praça Roosevelt. Tem o texto de 2010 como melhor exemplo disso.   
De ignorante no assunto, passei a ter interesse quando meu sobrinho Daniel Dykeman quis se tornar um profissional no MMA – Mixed Martial Artes. Ele deve ter feito umas duas ou três lutas no interior de São Paulo, e finalmente chegou a primeira vez na capital, onde eu morava. 
Como boa tia coruja, larguei tudo para assistir pessoalmente a luta, mesmo que do outro lado da cidade. Sammy Franco, meu outro sobrinho que também é lutador de Jiu-Jitsu, veio ao nosso encontro para completar minha alegria (vou lançar a campanha #voltasammyvolta para que ele continue treinando). 
Eu não me lembro de outra vez, anterior a essa, em que meu coração ficou tão acelerado, tenso e feliz ao mesmo tempo. De certa forma estava preocupada mas tinha tamanha certeza da vitória do Daniel, que, mesmo tão aflita, sentia junto uma alegria imensa, inexplicável.
E lá fomos nós três. Eles dois nos bastidores do espetáculo, e eu na arquibancada. Minutos antes ele apareceu, corri para dar um beijo nele, um abraço apertado e dizer: “Wow...eu não sabia que eu amava tanto assim você! Estou sentindo agora, nesse instante uma loucura aqui dentro da minha alma”! Ele respondeu: “eu vou vencer, tia, eu sinto que vou vencer”! (Aí sim assumi ser tia de alguém, por que meus dois sobrinhos só me chamavam de Talita, rs!).
A adrenalina estava a mil por hora. Eu não sabia se conseguiria assistir a luta de perto do octógono. Disse que ficaria mais distante. Mas quando o nome dele foi anunciado para a luta seguinte, não hesitei. Peguei tudo o que estava comigo e corri para mais perto. Quase enfartei, mas fui!

Achamos que até poderia ser um combate fácil, o adversário não era dos mais difíceis, mas quando o gongo soou, o adversário deu trabalho sim. Soube se esquivar muito bem, apesar de não ter aplicados muitos golpes, estava duro de acertar bem no alvo. E não resistiu ao “arm lock” (vou conferir se estou escrevendo certo os termos técnicos e considerando que sejam estes mesmos!). Dois minutos e meio de luta e pronto, eis o campeão, meu sobrinho Daniel, dando um pulo na grade, em direção aonde eu estava antes para jogar um beijo com um grito de vitória! Depois, mais calmo, um abraço extremamente afetuoso no seu irmão Samuel, que entrou no ringue para celebrarem juntos. 

Eu? Não, ainda não. Era muito tímida para tanto...


E timidamente, esperei a saída deles e mesmo com o corpo todo molhado de suor, me deu o melhor abraço que já recebi em toda minha vida – abraço de vitória, que delícia!
Primeira luta e primeira vitória que acompanhei, não poderia ser melhor!
Como complemento – sim, o que de fato muito contribuiu para a noite ser incrível – encontrei duas pessoas muito queridas, Willian e Silvia. Eles foram meus alunos de faculdade, e não tive como avisá-los antes que estaria no evento. O engraçado é que tive certeza de que nos encontraríamos. Assim foi, e ambos me acolheram muito bem, me fizeram sentir menos deslocada, por ser algo tão inédito para mim.  Minha certeza se dera porque Will também luta Jiu-Jitsu e o evento era bem próximo da casa dele. Tinha tudo para esse encontro acontecer, e foi surpreendente, por outro motivo que seria tema para um novo texto...! 
E veio a segunda luta do Daniel. Mesmo clima tenso, muita correria no dia, distância, viagem longa marcada para o dia seguinte, e um adversário de dar medo.


A diferença entre os combatentes era larga. Um deles com quase 30 anos de idade, 25 ou 26 lutas, maioria vitórias, um cara mais alto, aparentemente mais preparado do que meu novato sobrinho Daniel – 20 anos de idade, cinco lutas, uma derrota no currículo.



                      
Dykman, punho azul, golpeando Rasputin, punho vermelho 
                                                  (Foto oficial do evento).



Qual seria a estratégia para vencer dessa vez? Como seria o preparo, dia após dia para o melhor resultado possível?
Não era assunto da minha alçada, mas... quis o destino que, nas 08 semanas que antecederam a luta, eu estivesse em Piraju, interior de São Paulo, passando uma temporada junto com ele e com o Samuel.
A tia e os dois sobrinhos pegaram firme nos treinos. Logo cedo academia de musculação. Dois ou três vezes por semana treino de Muay Thai, sendo que eles iam no mesmo treino por até três vez ao dia, somando nove vezes por semana, fora o sábado, os exercícios extras e mais o Jiu-Jitsu. Bom lembrar que isso era esquema de atleta, a tia ficava só na musculação de manhã e algumas poucas aulas de Muay Thay, o que já foi um enorme passo em cinco anos sem frequentar uma academia.
Pois bem, chegou o grande momento. Semana da luta! Para mim, stress em dose tripla. Tinha duas provas de um curso de Pós-graduação para fazer, além do exame de moto-escola. Inventei de aprender a pilotar moto nesse meio tempo, e foi uma outra aventura, digna de mais um novo texto (aguardem!). Voltando ao foco, não foi fácil controlar as emoções naquele meio de novembro.
O plano era ir para São Paulo de mala e tudo. Na sequência faria uma viagem um pouco mais longa e para mais longe, EUA. Depois da luta, provavelmente não veria mais os meus sobrinhos por, pelo menos, alguns meses. Para mim, Daniel vencer, seria uma alegria a ponto de um enfarte, tão emocionada e envolvida que eu estava.

E dessa vez a coisa começou bem diferente. Fui VIP! Com acesso livre, fiquei junto com o time CTB – Centro de Treinamento Boinha. Estávamos bem próximos ao octógono, às vezes todos juntos assistindo as demais lutas, outras vezes eu sozinha quando a equipe descia para aquecer ou simplesmente para controlar os ânimos. Fiquei parada ali, apenas observando e notando o quanto meu conhecimento sobre MMA havia aumentado, ...não muito, mas o suficiente para entender um pouco melhor o que acontecia no ringue. Deu para fazer cara de inteligente e tudo. 
Clima tenso. A cada intervalo era anunciado o grande combate da noite, a luta internacional entre o brasileiro Rasputin e o americano Dan Dykeman.
Finalmente! Eles sobem no octógono. Eu estava por perto bastante alucinada, eu diria. Não sabia se ficava em volta, por perto, um pouco mais longe (isso tudo na área restrita), segundos antes do início da luta cheguei a ficar junto ao técnico e ao corner (numa linguagem bem simples, são aquelas pessoas que ficam do lado de fora, bem perto dos lutadores, gritando sugestões do que eles devem fazer).
Durou só um segundo mesmo, porque no exato instante em que entendi ser o lugar de profissionais, me afastei, e voltei ao cantinho onde estava, onde havia um telão que me permitiria acompanhar bem cada lance do combate.
Não vou detalhar a luta, pois o vídeo está disponível de várias formas na Internet, e eu não daria conta disso, mas apenas para demonstrar um pouco do que senti, vale a pena recordar o quanto aqueles dois foram incríveis no ringue. Ambos estavam no mesmo ritmo, na mesma sintonia, golpeando e se defendendo a cada segundo. Por vezes parecia que o Daniel ia dar o golpe definitivo, como no segundo seguinte parecia que não resistiria ao golpe do adversário. Ambos caíam e se levantavam, acertavam o golpe e eram golpeados. Muito difícil calcular o desfecho desse combate.

O Daniel sempre encerrava as lutas em pouquíssimo tempo. Creio que sete minutos e pouco foi o máximo que ele passou num ringue, ainda assim nunca havia passado do segundo round com 3 minutos. Apenas para situar, a luta profissional tem 03 rounds de 05 minutos cada. Intervalos de apenas 01 minuto.
O tempo parecia voar, ao mesmo tempo parecia tão lento que dava uma aflição incrível. Eu apertava minhas mãos, mordia os lábios, apertava os dentes, encolhia as pernas, esticava ao máximo, não havia como manter a musculatura relaxada. Era uma parte de mim ali no ringue lutando com todas as forças para sobreviver, não apenas vencer uma luta, mas era como se fosse uma batalha de morte! Era o que parecia, era o que eu sentia lutando emocionalmente junto com o Daniel.


Então, depois de 2 rounds inteiros e quase encerrar o terceiro, com 14 minutos e pouco no total, os dois agarrados, no solo e nas grades do octógono: Rasputin aplicou um golpe definitivo no Daniel, que bateu a mão ligeiramente no adversário, sinalizando a vitória do seu opontente.
Não acreditei. Por um segundo tive uma sensação de pânico, mas durou mesmo só um segundo. Dei um passo adiante, voltei, me virei e não resisti. Fui correndo ver de perto como estava o Daniel, fui sentir de perto o meu sobrinho.


Saí correndo com tudo, driblei quem estava no caminho, inclusive fotógrafos e cameraman. Subi as escadas em outro segundo. Fui abrindo espaço com as mãos, parei diante dele. Samuel e Boinha já estavam lá. Ele, sentado no chão, quase não conseguia erguer a cabeça para me olhar. Disse “tia...”
Eu me joguei de joelhos diante dele, quis tocar no seu rosto, mas estava com receio. Ele ergueu os braços e fui ao seu encontro, com os joelhos dobrados, no chão, me aproximei, corpo todo entregue ao melhor remédio do mundo para a minha dor: o abraço do meu sobrinho guerreiro, que havia passado por uma batalha tão intensa, tão dura, que eu não poderia imaginar nem no meu pior pesadelo. Deve ter doido mais em mim do que nele!
Sómente depois de alguns minutos conseguimos sair dali. Ele precisava se recuperar, descemos do ringue. Sentamos num cantinho qualquer. Um dos juízes se aproximou e quase me cortou ainda mais o coração ao dizer: “Daniel estava vencendo por pontos. Se tivesse só segurado por mais alguns segundos, teria ganhado a luta!”
Que experiência mais dura foi aquela! Que jeito mais difícil de aprender algo... Como doeu em mim...!!!


Depois veio um grande consolo. Ao sair e passar por nós, Rasputin fez questão de parar para cumprimentar o Daniel. Ele disse com todas as letras, em alto e bom som, que o Daniel tinha sido o adversário mais difícil de toda a vida dele: “Esse menino é muito resistente, duro demais de vencer”! Aí sim o sorriso da tia voltou ao rosto e os olhos continuaram a brilhar pela estrela da casa, meu sobrinho guerreiro Dan Dykeman.
Fico honrada de ter assistido essa batalha tremenda, ainda que não tenha sido uma vitória para "o nosso time". O aprendizado adquirido não tem preço, vale muito mais do que uma medalha de ouro. E quer saber? Na próxima estarei presente com você, de novo no ringue, seja lá qual for o resultado! 
        
Meu orgulho por você é o mesmo. Sei do seu espírito guerreiro e acredito no quando essa garra de lutar e vencer é tudo no perfil de um verdadeiro campeão.
Ao lutador profissional Dan Dykeman, Parabéns, seu nome ainda será conhecido e grande, como a sua garra e coragem.
Deixo aqui uma homenagem aos profissionais do MMA, atletas e equipe, por compreender melhor hoje o quanto é sério o trabalho de preparo, com treinos intensos, alimentação controlada, estilo de vida próprio de quem tem determinação e foco para atingir resultados.
Passar esses dois meses em contato com este mundo foi uma grande lição para mim. Espero seguir em frente tendo adotado, de fato, novos valores para minha vida pessoal. Um abraço ao amigo Boinha e família, pelo profissional que é e por nos ter aberto as portas da sua casa! Sucesso ao CTB!!!

Ao "sobrinho" Daniel, Parabéns em especial pelo seu aniversário, em 04 de Fevereiro - 21 anos agora! Te amo muito - estou ao seu lado - nem sempre fisicamente junto no tatami ou no octógno como daquela vez, mas absolutamente com toda alma e coração torcendo muito em cada luta para que seja comemorada a alegria da sua vitória. E se for preciso entrar no ringue de novo, grita! Te escuto, de onde estiver. Prometo! 


"""Te sinto um CAMPEÃO""".... 

FELIZ ANIVERSÁRIO...!!!!


Segue uma singela homenagem a você nas fotos abaixo:


































             Na foto acima, eu em minha primeira aula de Muay Thai com o Samuel e o professor Gustavo. Abaixo, na aula seguinte com o professor Bruno: eu
 (a mocinha do lado esquerdo) no meio deles levando o treino a sério....Uhuhuuuu!!!!





Thai...!!!


P.S. [Para saber mais: http://www.ufc.com/discover/sport








Talita Godoy


Janeiro/17/2016