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domingo, 17 de março de 2013

Agradecimentos - conclusão do mestrado




“Não pode existir conhecimento sem emoção. Podemos estar cientes da verdade, mas até que tenhamos sentido sua força, ela não é nossa. À cognição do cérebro deve ser acrescentada a experiência da alma”.
Arnold Bennett


MEUS AGRADECIMENTOS

            Agradeço à professora e orientadora Carla Reis Longhi, por sua dedicação, tanto nas aulas ministradas como nos produtivos encontros de orientação, além dos calorosos debates provindos das leituras no grupo de pesquisa "Mídia, Cultura e Política: identidades, representações e configurações do público e do privado no discurso midiático".
Também à professora Barbara Heller, que acompanhou este projeto desde o início, contribuindo com suas aulas. Nelas conheci o livro da Profª Dulcília Buitoni, que gentilmente aceitou nosso convite e veio a participar da banca de qualificação, enriquecendo a pesquisa apresentada.
Ao professor Antonio Adami, pelo incentivo na minha participação nos eventos promovidos pelo grupo de pesquisa "Mídia, Cultura e Memória".
Agradeço aos colegas de Mestrado, embora a primeira turma tenha se dispersado logo, muitos ficarão sempre na memória, como Deusiney, Waner, Carlos André e outros, em especial Leila, parceira em todo esse trajeto.
À minha gestora Ana Paula e aos colegas do trabalho da UNIP Interativa, sou grata pela torcida e incentivo. Entre eles: Evandro, Thiago, Fernando, Maria Santos, Gaston, Célia, Nanci e todos os membros das equipes da tutoria de Estúdio e Associadas.
Em especial destaco meu justo agradecimento ao amigo Bruno César, por tantos livros emprestados, diálogos inspiradores e ideias proveitosas. Sou grata pelo tempo que ele investiu em mim respondendo às minhas perguntas e atendendo às minhas intermináveis solicitações. Reconheço o quanto ele foi generoso ao dividir comigo uma pequenina porção da sua intelectualidade tão admirável. Sei que ficará orgulhoso em saber o quanto contribuiu com meu crescimento acadêmico, intelectual e pessoal. Sua presença foi fundamental nessa jornada.
Agradeço à minha família e amigos, por compreenderem a necessidade dos meus isolamentos. Pesquisar é assim mesmo!
Sobre todos, agradeço a Deus, por inspirar minha força interior.

ACRÉSCIMOS:

O texto acima foi usado na íntegra na dissertação apresentada. Além dele também fiz algumas citações igualmente importantes no dia da defesa, e quero aproveitar a ocasião para deixar aqui meus acréscimos.

Dedico este trabalho aos professores Sérgio Dantas, meu orientador da monografia da Pós-graduação do Mackenzie, o primeiro que me incentivou a dar continuidade ao meu lado "pesquisadora"; e Guilherme Azevedo, que me apresentou a Revista Realidade, despertou minha paixão por este produto e, em 40 horas de curso, me ensinou mais do que outros professores em 04 anos de faculdade... Fiz uma dedicatória especial (e novamente citando) meu querido professor Bruno, a quem vou pedir ainda muitos favores, ajudas, socorros etc, e uma lembrança aos repórteres que inspiraram o rumo deste trabalho: José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão, autores do belíssimo livro Realidade Re-vista. Tentei contato com o Zé Hamilton, mas certamente ele não aguenta mais estudantes atrás dele com este mesmo assunto... entendo, mas não vou desistir, afinal, procurei atender a um apelo dele diferenciando o foco da minha pesquisa e mereço uma oportunidade de mostrar o resultado...me aguarde, Zé, rs!!!

Deixo meus agradecimentos também a todos que demonstraram um imenso carinho, aos que se alegraram comigo nesta etapa vencida, em especial Babu, Manu, Leandro, Dani Vanessa e Paulinho, que acompanharam tudo desde o início e sempre me deram apoio incondicional. Às minhas irmãs, Sueli e Roseli, por demonstrarem com orgulho que estão felizes por mim! E dos tempos da Pós, sempre recebi o apoio e a amizade da Helga (hoje mãe da Larissa) e da Luciana, que abriu as portas para mim na faculdade UNIESP. Antes da defesa eu já estava contratada dando aulas ali, graças à indicação dela!!! 

E como um último registro, agradeço aos comentários da professora Dulcília  Buitoni (autora do livro Mulher de Papel), que disse que se tivesse doutorado na Cásper, ela me levaria para lá... que orgulho ouvir isso.... à professora Bárbara Heller (que um dia foi orientanda da profª Dulcília), que foi tão generosa ao dizer que contribuí com suas aulas quando levei a revista Realidade, compartilhando os textos de Carmem da Silva, jornalista que ela pesquisa e que gerou um artigo para nosso último E-book (que para mim foi ainda o primeiro...rs). E à professora Carla, que disse algo para marcar a vida de qualquer aluno, em dois tempos: primeiro que ela deseja que todos os orientandos fossem como eu, pois sou autônoma, sigo as orientações, trago o texto escrito (ela não precisa brigar com isso, apenas corrigir e melhorar o apresentado, o que para um orientador já é meio caminho andado, rsrsrs!) e que eu tenho perfil de pesquisadora, gosto de investigar, descobrir (o que é verdade, pois me encanto com as descobertas feitas!!!).  

Em suma, foi uma experiência grandiosa, um momento perturbador, inquieto, angustiante talvez, mas ao mesmo tempo extremamente prazeroso quando se percebe que fez a "lição de casa" e está ali apenas para cumprir uma espécie de "ritual de passagem".  A nota final foi 9,5... fiquei devendo na conclusão do trabalho, parecia que eu ia sair correndo da dissertação, rsrsrs, e por outros pecados cometidos ao longo das 180 páginas de texto. Eu estava consciente disso, apenas não fiz melhor pela imensa pressa com tantos compromissos do cotidiano. Mas os elogios, depois das críticas, estes sim tiveram valor bem maior do que qualquer nota 10...!!! Enfim, o Mestrado concluído está,  alcancei meu objetivo. Tô pronta para outros desafios!!!    


TALITA GOGOY
MARÇO/2013

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terça-feira, 12 de março de 2013

Defesa de Mestrado - Talita Godoy


Prezados Leitores:

Venho informar que finalmente cheguei à tão esperada conclusão do Mestrado. Conto com o apoio, torcida e bons fluídos de todos!!!

"Revista Realidade: Representações da sociedade na mídia impressa brasileira em 1966/1967 - tempos de transformações políticas e socioculturais"

Data: 18/03/2013 (segunda-feira)
Horário: 9h30
Local: UNIP (Campus Indianópolis) Rua Dr. Bacelar, 1212.   


Cordialmente,
Talita Godoy


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domingo, 3 de março de 2013

Comunicação Interna como Vantagem Competitiva



A vantagem competitiva deve assegurar um desempenho superior ao da concorrência. Calvo (2008) propõe algumas mudanças que devem ser introduzidas na gestão de negócios e cita a importância das capacidades do ser humano: Talvez pudéssemos resumi-las em três pontos: 1) a boa e a adequada liderança; 2) as pessoas e suas capacidades; e 3) a própria estrutura dos negócios (...). Hoje trata-se mais de conduzir do que dirigir.” dirigir é fazer as coisas adequadamente; liderar é fazer as coisas adequadas”, como diria o “filósofo dos negócios” Peter F. Drucker. Mas os recursos chave continuam sendo a importância das pessoas e as suas capacidades (CALVO, 2008 p. 95).

Calvo (2008) ressalta a importância para o empresário quando ele alcança vantagem competitiva pelo fato de saber gerir o negócio de forma excepcionalmente superior: Abrem-se as fronteiras ilimitadas, mas não se pode baixar a guarda (...). O empresário deve assumir um papel no qual sinta que o sucesso ou fracasso dependem de cada contribuição particular, sem abandonar a perspectiva de equipe e com forte envolvimento e contribuições criativas (CLAVO, 2008 p. 95).

O pesquisador e educador Edgar Morin (2008) desenvolve um tema que muito se aplica nas organizações da atualidade – o conhecimento - e se inspira no filósofo Pascal para introduzir sua teoria em que considera impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tanto quanto conhecer o todo sem conhecer, particularmente, as partes. Esta citação se refere ao domínio de conhecimento retido por especialistas. Morin (2008) constata que a fragmentação dos saberes criou especialistas que se julgam donos do saber e aponta a interdisciplinaridade como solução para que todos tenham acesso ao domínio das ideias que o especialista considera de sua propriedade.

Analogicamente, na empresa acontece o mesmo quando o colaborador não compartilha seus conhecimentos, suas descobertas e acaba não contribuindo para o meio. Ou aquele que quer fazer novas descobertas e não tem acesso às informações necessárias; e ainda no caso em que os setores são tão complexos que a falta de conhecimento sobre o que outra área faz dificulta o trabalho. Uma visão aberta, ampla, pode simplificar fluxos, e a comunicação interna pode ser o canal desta mudança.

Morin (2008) usa o sugestivo título “A cabeça bem feita – repensar a reforma para reformar o pensamento”, e propõe uma reflexão, do filósofo Montaigne, que embora tenha como tema a educação, muito bem se encaixa aos profissionais que fazem a gestão da comunicação empresarial: “mais vale uma cabeça bem feita do que uma cabeça cheia”. A comunicação integrada tem este poder em suas mãos, formar, ou aprimorar, um colaborador para que ele tenha uma cabeça bem feita. Outra citação de valor, feita no mesmo livro, se refere a Marcel Prost e se aplica perfeitamente numa pesquisa em comunicação empresarial: uma verdadeira viagem de descobrimento não é encontrar novas terras, mas ter um olhar novo. Jaques Labeyrie sugeriu o seguinte teorema, que Morin submete à verificação: Quando não se encontra solução em uma disciplina, a solução vem de fora da disciplina (MORIN, 2008 p. 107).

Não basta ao gestor, especialmente ao de comunicação, seguir padrões pré-estabelecidos ou tomar por base somente teorias que ele aprendeu nos livros didáticos. É preciso lançar um olhar geral sobre a organização e desvendar suas partes para compreendê-la em sua verdade, assim como também se faz necessária uma integração particular do comunicador sobre cada aspecto, cada setor, cada mecanismo para enxergar o todo. 

Interdisciplinaridade. Torquato (2002) vê o bom profissional da comunicação como um generalista, porém lembra que no passado o generalista era tido como aquele que gostaria de saber tudo justamente por não saber de nada.
Este conceito mudou. “O conhecimento holístico, capaz de integrar as partes no todo, constitui uma exigência do mundo competitivo e globalizado” (TORQUATO, 2002, p. 6). Visão holística, visão abrangente. Essa afirmação tem relação com o exposto anteriormente, sobre o colaborador ter a visão micro, e o cliente externo ter a visão macro. Um vê de dentro, o outro vê de fora; a visão de ambos será ideal quando a comunicação desempenhar seu papel estratégico ao ser transparente, objetiva, clara, e verdadeira.

Nenen Prancha, criatura imortal citada pelo jornalista João Saldanha, dizia que o pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube. A comparação é válida: a comunicação empresarial é, hoje, tão fundamental, que deveria envolver diretamente os presidentes das empresas. Isso porque comunicação empresarial é a somatória de todas as atividades de comunicação da empresa. Elabora uma forma multidisciplinar – a partir de métodos e técnicas de relações públicas, jornalismo, lobby, propaganda, promoções, pesquisa e marketing – e direcionada à sociedade, formadores de opinião, consumidores e colaboradores (trabalhadores, fornecedores e parceiros).

Elaboração esta que tem sempre como referência básica o planejamento estratégico da empresa (NASSAR, 2006, p.18). Quando se tem conhecimento da cultura organizacional fica mais fácil ao colaborador se posicionar junto com ela, ele valoriza e respeita as práticas adotadas, pois as compreende. Isso permite ao colaborador executar suas atividades de acordo com os preceitos da empresa e desenvolver-se mais. Nassar (2005, p.110) chama de efetivo o papel da comunicação quando ela emite uma mensagem que pode ser interpretada, discutida, avaliada, assimilada e praticada pelo colaborador. Quando isso acontece têm-se o conhecimento compartilhado, posto antes por Morin (2008) como essencial ao ser humano. Como visto, a comunicação integrada é fundamental para uma organização, por isso pode ser considerada um negócio dentro do negócio.

Ela afeta os resultados e estampa a imagem institucional da organização. Um estrondoso sucesso de propaganda e vendas que terminou no naufrágio do produto e da empresa foi o “Titanic”. A comunicação é poderosa, e por isso mesmo precisa ser feita com muita seriedade e por profissionais qualificados para tal. Por essas e outras é que o serviço de comunicação das empresas não é coisa para amadores. Com a melhor das boas intenções, alguém pode estar construindo um novo Titanic.

Uma boa comunicação empresarial é condição primária para uma boa imagem institucional da empresa. E é nessa empreitada que estão envolvidos um exército profissional de relações públicas, pesquisadores, jornalistas, publicitários e marqueteiros. São eles que criam e produzem as armas e as munições de que as empresas necessitam em suas frentes de batalha da comunicação empresarial (NASSAR, 2006, p.24).

Referente ao produto de comunicação dirigido público interno, Nassar (2006) afirma que embora o número seja bem menor, se comparado com a publicação direcionada ao público externo, a comunicação tem todas as características de comunicação em massa, portando deve seguir os mesmos padrões de qualidade das mídias externas tradicionais. Isso inclui o material de apoio utilizado pelos colaboradores no exercício de suas atividades, que também de vê ser constantemente checado.

Drucker (2006) enumerou algumas das melhores práticas aplicadas por organizações que tem por base o conhecimento, o que reafirma a importância da comunicação como vantagem competitiva e destaca a comunicação. 1. Preocupam-se tanto com o mercado quanto com os processos internos; 2. Investem mais em pesquisa e desenvolvimento e retenção de talentos; 3. Apresentam uma estrutura praticamente horizontal, com poucos níveis hierárquicos; 4. Todos na empresa assumem responsabilidade pelas informações: para saber o que estão fazendo, para serem capazes de decidir o que deveriam estar fazendo, para avaliar a qualidade do seu desempenho; 5. Os melhores profissionais vão para a linha de frente; 6. As informações devem estar disponíveis para toda organização; 7. Criam a cultura de fórum on-line: qualquer um pergunta e qualquer um pode dar a resposta; 8. As pessoas apresentam maior autodisciplina; 9. É dada uma ênfase maior para os relacionamentos e para as comunicações; 10. Eliminam despesas com redução de custos do dia-a-dia (folha de pagamento, suprimentos, publicidade, expedição, aluguel); 11. Ampliam despesas com equipamentos de informação e comunicação (PITTERI, 2008 apud DRUCKER, 2006, p.64).

Pitteri (2008) conclui o capítulo 5 do seu livro dizendo o seguinte: As atividades que surgem em decorrência destas práticas e a busca de detalhes valiosos, particularmente no relacionamento com os clientes, permitem a realização de simulações para se analisar cenários possíveis. As melhores simulações levam a um melhor entendimento dos riscos envolvidos nas inovações e principalmente a geração de novos negócios a partir do conhecimento em si, o que resulta em realçar as competências essenciais da organização (PITTERI, 2008, p.64).

Para organizações que tem colaboradores geograficamente distanciados uns dos outros, a integração da informação e a disponibilização para todos é essencial para dar unidade, direção, senso de compartilhamento. Comunicar é compartilhar. De posse da informação correta e clara, o colaborador sente-se parte do processo e torna-se uma vantagem competitiva que só aquela organização tem. Na era do conhecimento destaca-se cada vez mais o poder da informação e da Tecnologia da Informação (T.I.).

O colaborador mais bem preparado torna-se um valor intelectual e uma vantagem competitiva quando ele compreende que a tecnologia age a seu favor e que o cliente externo aprecia participar do processo de tecnologia: O objetivo da empresa não é poupar cliente de fazer certas atividades, mas mobilizá-lo a fazer coisas que ele nunca fez antes. Repare como isso é a representação exata do nosso modelo para a nova economia da informação: experiências, choiceboards etc. O cliente escolhe. O cliente projeta.

O cliente se engaja em vivencias que antes ele nem sabia que podia viver. E adora. Diverte-se. É um performer. Ele faz a coisa acontecer. (...) Juntar preço mais baixo com comodidade e com experiências interessantes para o cliente é o mapa da mina. Veja os caixas eletrônicos. Para os próprios bancos foi uma surpresa notar que o cliente gosta de ter aquele trabalho (ele o vê como comodidade). No inicio achava-se que só os clientes de baixo saldo médio iriam querer usá-los. Engano. Nos caixas eletrônicos, o cliente engaja-se numa atividade self-service [...] (NÓBREGA, 2001 p. 113).

Para ser uma experiência prazerosa ao cliente externo utilizar-se de meios eletrônicos para ter suas necessidades atendidas, é necessária muita dedicação e investimento por parte da organização, mas a compensação maior é, por exemplo, o aumento da produtividade dos gerentes para gerar negócios, trazer mais clientes externos, gerar mais lucros. Assim a empresa passa a ganhar mais do que gasta e realiza uma função vital para a sua sobrevivência. Bom para a empresa, bom para o cliente externo: Criando palcos virtuais para pessoas comuns, a informação atinge o centro do que significa ser humano, e as transações econômicas vão explorar isso. Na era do digital, nada detém a informação em sua ânsia de reconfigurar modelos antigos e acabar com limitações de espaço e tempo (NÓBREGA, 2001 p. 114).

O autor de Supermentes explica que no idioma inglês há um trocadilho sobre mensagem econômica com as palavras rech e rich: ou você tem alcance ou você tem riqueza de detalhes. Para o cliente interno é necessária a riqueza de detalhes. Para o cliente externo basta o alcance. Por meio da Internet o consumidor pode ter os dois. Por outro lado, para as empresas informação representa poder, e o cliente bem informado assume o comando. Mas, o lado mais que positivo é que desta forma, para se sobressair, as empresas terão de levar a sério a questão da qualidade, da excelência, do cliente em primeiro lugar. Eu, empresa, vou ter de ser realmente boa. Vou realmente ter de ser mais eficiente, vou ter realmente de ser transparente para o cliente. 

Ou faço isso ou estou fora. ... A verdade é que a maioria das empresas não tinha, na era analógica, qualquer motivação econômica para ser voltada para o cliente. Apesar de toda a conversa fiada dos últimos quinze anos, empresa voltada para cliente é exceção. Agora não. Não é mais opcional. Ou você faz ou morre (NÓBREGA, 2001 p. 117).

Por estas razões, cada vez mais a comunicação interna se firma como elemento de base para um planejamento estratégico de negócios. Neste segmento, nota-se que um manual de procedimentos, bem como qualquer outro material de apoio, ao ser escrito considerando o seu potencial em capacitar o colaborador para alcançar os resultados esperados, será uma ferramenta eficaz, necessária e muito valiosa. Quando se der o devido respeito a questões como a utilidade, na prática, do material de apoio – um manual de produtos, serviços e procedimentos usados numa central de vendas ou informações, por exemplo – se dará também credibilidade ao produto/serviço que a comunicação interna entrega para uso dos colaboradores.

A comunicação interna é o elemento que mostra ao público interno quem é a empresa em que ele trabalha. Ela é considerada, nas palavras de Nassar (et al, 2005, p. 72) um “instrumento de gestão empresarial, sua contribuição para o sucesso do negócio depende da importância que lhe é atribuída”. E conforme a empresa a ver como uma ferramenta de vantagem competitiva ela será cada vez mais levada a sério e se mostrará eficaz. Fazer a comunicação interna funcionar de modo integrado é um dos grandes desafios dos seus gestores, portanto algo fundamental para o sucesso da comunicação como fator de vantagem competitiva.

Necessita de total alinhamento estratégico mesmo quando envolvem terceirizados ou colaboradores espalhados geograficamente. Nassar (2005) cita o caso da Petrobrás que tem mais de 130 mil colaboradores. Quando foi criada a Gerência Corporativa, já existiam áreas de comunicação em todas as unidades de negócio que funcionavam sem alinhamento, gerando duplicidades e fragmentações nas informações. A integração era algo de primeira necessidade e para atingir o objetivo de promover a articulação entre todas as áreas e a integração delas, foi criado o Comitê de Comissão Integrada, que surgiu para construir e operacionalizar a Política de Sistema de Comunicação Interna da Petrobrás.

Para este caso específico, Nassar cita alguns dos fatores críticos a serem monitorados para a garantia da eficácia num sistema de comunicação interna: • Patrocínio e participação gerencial; • Gerenciamento coorporativo com foco na integração e articulação entre todas as áreas; • Uso de mecanismos de gestão, tais como os comitês – de comunicação interna e editorial; • Uma política com a função de ordenar o sistema. (NASSAR et al, 2005, p.68) Em uma grande empresa o gerenciamento da comunicação interna é um processo permanentemente em construção.

O exemplo da Petrobrás é posto aqui como um dos muitos casos que se pode observar em constante desenvolvimento, sempre com novas estratégias, aproveitamento de oportunidades, mas contando com a força do grupo. A experiência dos colaboradores mais antigos gera um tipo de conhecimento tácito, adquirido na prática, os mais novos precisam de treinamento e dos manuais: “’É possível treinar os mais novos em todo conhecimento explícito disponíveis em padrões ou manuais de treinamento.

No entanto, para que os mais novos possam aprender certos detalhes do trabalho é necessário tempo e a presença dos mais experientes por perto” (FALCONI, 2010, p.94). O colaborador não deve esperar que tudo esteja presente nos manuais de apoio, mas o básico deve estar de forma objetiva e clara. Nota-se que na estratégia para a comunicação interna como fator de vantagem competitiva não se observou apenas aspectos da teoria da comunicação, mas aqui se apresentam fatores que envolvem toda uma gestão empresarial, e especialmente a gestão de pessoas e interdisciplinaridade. Daí o uso do termo comunicação integrada.


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PNL - Breve Estudo


Breve estudo sobre Programação Neurolinguística

1. Rapport

 

Uma tradução aproximada para rapport seria algo como comunhão, sintonia, empatia. Miranda (1999, p.60) a define como: “um processo onde você estabelece um contato harmônico e perfeito com outra pessoa”. Para se alcançar o rapport, é necessário estabelecer empatia e confiança, um verdadeiro colocar-se no lugar do outro e fazê-lo sentir isso.



É comum, especialmente entre amigos um dizer ao outro que a conversa estava tão boa que nem sentiu o tempo passar! Esta situação exemplifica o rapport que pode acontecer de maneira natural, porém, existem técnicas específicas que contribuem para o estabelecimento do rapport, como as citadas por Miranda (1999, p.61):




• Postura corporal ou física: observar o interlocutor e, na medida do possível, seguir discretamente o seu comportamento físico, por exemplo, cruzar a perna como ele, inclinar o corpo como ele, e outros.



• Espelhamento direto: seguir movimentos como dos braços, das mãos, das pernas, dos pés ou ainda as expressões faciais, porém, com leveza para não dar a impressão de estar copiando o outro e causar desconforto nele.



• Espelhamento cruzado: intercalar a seqüência de gestos seguidos no outro com gestos e movimentos paralelos, por exemplo, se o outro balançar o braço balance o pé e vice versa, sempre no mesmo ritmo.



• Uso de chavões: ao perceber que o interlocutor usa expressões como certos chavões, usá-los também, na primeira oportunidade, facilita o rapport, pois ele se sentirá no comando, como quem está influenciando o outro. Em negociações esta técnica aproxima que a usa do sucesso desejado.



• Tom de voz: seguir o estilo de voz do outro no tom, velocidade, timbre, sem descaracterizar o seu modo pessoal de usar a voz, mas estabelecendo uma semelhança confortável.




Miranda (199, p.62) fecha este ciclo de técnicas ressaltando a importância de se romper preconceitos para demonstrar respeito e facilitar a sintonia entre ambos e que em alguns momentos deve-se verificar se o rapport foi estabelecido. Uma forma de testar o rapport é, após seguir por um tempo os movimentos do outro, lentamente alterar sua postura física e observar se o outro o segue. Este tipo de imitação diz muito, pois significa a sua influência sobre o interlocutor.

 

Um cuidado especial deve ser levado em conta observando-se a diferença entre influenciar e manipular, sendo a primeira a forma correta de se relacionar com o interlocutor por levá-lo a reconhecer algo bom por convencimento, enquanto o segundo implica em induzir o outro a fazer algo que se quer com intenções que podem ser favoráveis apenas para quem manipula.

 

No rapport, ambos entram numa sintonia agradável, perfeita como uma dança em que nem se percebe quem está conduzindo quem e ambos saem ganhando. 



Pode-se sair de uma situação de conflito para uma situação de entendimento com as técnicas apresentadas, comumente usadas pelos conhecedores da neurolinguística.

 

“A PNL defende a ideia de que, se você não se programar, alguém ou alguma coisa pode programar o seu cérebro. A responsabilidade da técnica e da ciência da PNL é de assumir o controle da sua própria programação mental” (MIRANDA, 1999, P.4).

 



2. Mapa e estado mental

 

Cada indivíduo tem uma forma particular de ver e interpretar o mundo criando sua própria realidade de mundo.


Alguns têm a tendência de criar uma realidade negativa que, mesmo inconscientemente, o prejudica. Um exemplo é a forma como a pessoa se considera: se ela se sentir inferior às outras, este Mapa Mental fará com que ela fique dominada por isso e com que ela perca, ou nem reconheça, as boas oportunidades da vida.



Este estado mental negativo a segura e impede que ela tome atitudes corajosas, positivas e siga em frente, prende a pessoa em seus medos num ciclo vicioso de derrotas ou limitações. Miranda ressalta que o processo é, felizmente, reversível:

O pensamento gera um Estado Mental, que gera um comportamento. Isso também funciona no sentido inverso. Um novo comportamento pode gerar um novo Estado Mental, que vai gerar um novo pensamento. Isso quer dizer que você poderá mudar a sua forma de pensar, a partir da mudança consciente e sistemática do seu comportamento. Na prática, se você passar a adotar atitudes positivas e tentar fazer aquelas coisas que antes achava impossíveis, esse novo comportamento irá gerar um novo Estado Mental, gerando uma nova forma de pensar, permitindo a você aceitar que aquelas coisas estão acessíveis e são possíveis (MIRANDA, 1999, p. 8).


Cada indivíduo tem a capacidade de controlar o próprio Mapa Mental; a qualidade da vida depende da qualidade do Mapa. Ao se observar as atitudes é possível analisar se elas estão pendendo para o lado negativo e conscientemente fazer esta mudança comportamental que causará impacto positivo no pensamento e nas atitudes. Para se alcançar os objetivos, é necessário pensar e agir positivamente, ter um Estado Mental positivo.

Miranda (1999, p.14) reforça a ideia de que o pensamento negativo gera atitude negativa num ciclo vicioso de resultados negativos, por outro lado o pensamento positivo gera a atitude positiva num ciclo virtuoso de resultados positivos.

A forma de ver e interpretar situações diversas pode influenciar o cérebro e causar reações até mesmo orgânicas naturalmente. Um exemplo citado por Miranda (199, p. 17) ilustra o Mapa Mental de forma clara: Se a pessoa diz “quero perder peso” o cérebro associa a palavra “perda” com algo que ele deve encontrar, portanto dá ordens ao organismo para engordar, já que a perda se refere a “peso”. Enquanto se o indivíduo mentalizar que simplesmente “deseja emagrecer” isso soa claro para o cérebro, e se for iniciada a dieta, ocorrerá como resultado, o emagrecimento. O subconsciente procura se apegar ao que houver de mais forte na sentença. 



Outro fator que reforça as ações coordenadas pelo entendimento do cérebro, algumas vezes negativamente, é o uso do “não”. Apesar de ser uma palavra simples como as outras, ele pode ter um peso agregado pela interpretação negativa do cérebro. Ele não deve ser temido, mas usado de forma adequada, e sempre que possível, substituindo para ressaltar na mente o sim, ou seja, em vez de um conceito negativo, trocá-lo por outro, se necessário de sentido oposto e positivo.

O entusiasmo, a motivação, a auto-valorização, gostar do que faz e outras atitudes positivas, influenciam para o bem, pois facilitam a empatia, abrem as portas para, por exemplo, o uso de um elogio ou de sorriso, que certamente merecerá uma devolução por parte de quem o recebe. Atitudes assim abrem portas e estabelecem um clima positivo, leve, agradável num contato interpessoal.

 



3. Sistemas representacionais

 

Assim como nas personalidades, algumas características sobressalentes fazem surgir a classificação em grupos de sistemas representacionais que indicam o tipo de atenção prevalente em cada indivíduo, podendo existir uma combinação delas. Estes grupos são divididos da seguinte forma:

 

• Visual: pessoas com tendências de se vestir bem, gostar de cores, imagens, gravam com mais facilidade o que ouvem do que aquilo que leem, andam eretas, olhando para cima quando se lembram de algo, falam rápido, alto e valorizam as aparências.



• Auditivo: memorizam mais facilmente aquilo que leem do que aquilo que ouvem, gostam de conversar, de ouvir música e sons da natureza, usam a voz empostada, clara.



• Cinestésico: utilizam com predominância os seus canais sensoriais, gostam do toque físico, falar de perto, pausadamente, devagar, degustar, saborear comida e bebida, memorizam mais facilmente o que experimentam pelos sentidos (olfato, tato e paladar).



• Auditivo Digital: a tendência predominante é a busca da lógica em tudo o que observa, exercita a comunicação interna, diálogos consigo mesmo.

 

Miranda (1999, p.56) explica que um mesmo indivíduo pode apresentar uma predominância e ao mesmo tempo mostrar outras ascendências.


Alder (1996, p.92) aponta que o gerente pode conhecer melhor os seus liderados se prestar atenção em como cada um fala ou escreve usando palavras relacionadas a “ver, ouvir e sentir”. É possível estabelecer o rapport ao se comunicar com cada pessoa usando e enfatizando a linguagem dela, por exemplo: ao perceber que ela é cinestésica, pode-se usar frases com as expressões “sentir-se”, “pegar o assunto”, e outras do tipo. Isso criará harmonia pois trata-se da “linguagem” do outro, devidamente adequada ao seu tipo sensorial.

A impressão que se tem é a de ter se transportado para o mundo do outro, e falando a linguagem dele aumentam-se as chances de um melhor entendimento. Alder (1996, p.92) ressalta que todos usam todos os sentidos, porém existem as preferências e são elas que podem simplificar o processo de comunicação.

 

Exemplos de expressões familiares das referências sensoriais:

 

VISUAL: Vejo o que quer dizer; um ponto cego; prece; mostre-me; olho no olho; olhe para o futuro; o olho da mente; um colírio para os olhos; vendo de perto; ideia nebulosa; lançar luz.



AUDITIVO: Um modo de falar; muito barulho por nada; em alto e bom som; palavra por palavra; gritante; pelo andar da carruagem; eles não estão muito afiados.

 

CINESTÉSICO: Aguente um instante; fique frio; pessoa calorosa; casca grossa; pegar a ideia; discussão acalorada; andar macio; por a mão nisso; arranhar a superfície; sentir isso nos ossos; entrar em contato; fazer a cabeça girar.



OLFATIVO E GUSTATIVO: Isso não me cheira bem; pílula amarga; fresca como uma rosa; comentário ácido; engolir as próprias palavras; saborear o triunfo; uma questão de gosto; o que é do homem o bicho não come.

 

A seguir, exemplos das modalidades e sub modalidades de uma visualização criativa:

 

VISUAL:



• Luminosidade ; Tamanho; Cor / branco e preto; Saturação (vividez); Matiz, ou equilíbrio de cor; Forma; Localizações; Distância; Contraste; Claridade; Foco; Emoldurado; Movimento; Perspectiva; Associado / dissociado; Tridimensional / plano.



AUDITIVO:



• Diapasão; Ritmo (velocidade); Volume; Contínuo / interrompido; Timbre / tonalidade; Digital (palavras); Associado / dissociado; Duração; Localização; Distância; Externo / Interno; Fonte; Mono / estéreo; Clareza; número.



CINESTÉSICO:



• Pressão; Localização; Número; Textura; Temperatura; Movimento; Duração; Intensidade; Forma; Freqüência (tempo)



Alder (1996) esclarece que ao compreender mais sobre a comunicação não verbal, torna-se mais fácil estabelecer harmonia entre os envolvidos num processo de comunicação. Os movimentos oculares, por exemplo, revelam a preferência sensorial dos pensamentos de uma pessoa, pois cada uma tende a indicar, de fato, o que a pessoa está pensando, sendo ainda mais confiável do que as próprias palavras. Seguem exemplos:

 

• Movimentos oculares para cima: processos de pensamento visual;



• Movimentos oculares para os lados: processos auditivos;



• Movimentos oculares para baixo: sentido sinestésico ou diálogo interno.



BIBLIOGRAFIA:
ALDER, 1996.
MIRANDA, Sergio. A eficácia da comunicação. Rio de Janeiro: Qualimark, 1999.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Minha Homenagem à cidade de São Paulo



PRIMEIRA VEZ NA ZONA!


Agora eu sei: a primeira vez na zona a gente não esquece. A minha foi numa tarde fresca de segunda-feira, durou algumas poucas horas, porém muito intensas. No final, eu estava com o cabelo desalinhado, pois ventava em cada esquina. Entrou alguma areia nos meus olhos, dei alguns passos lacrimejando. E involuntariamente aspirei um pó branco. Era fino, cheiroso e na verdade caiu sobre mim. Pouca coisa, mas o suficiente para polvilhar o meu casaco preto quando caiu, e por ser leve, subiu até minhas narinas. Gostei do cheiro. No caminho, passei por calçadas esburacadas, ruas movimentadas, passei por faróis que demoravam mais de dois minutos. Muito tempo pra mim.

Antes, uma parada estratégica no Mercado Municipal. A colorido das frutas e o seu aroma naquele lugar, me fazem esquecer que estou no centro da cidade, parece um tipo de paraíso! É claro que isso depende do corredor em que você estiver, pois de um lado estão as frutas e outras especiarias, e do outro se concentram as muitas lojas de sanduíches, dentre eles o astro mortadela... ou "mortandela", se preferir... se pedir um de mortandela também será atendido. De todos os jeitos, só dá ele por ali. O lugar é amplo, alto, com vitrais coloridos que atravessados pela luz do sol iluminam o interior do prédio, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, em 1924. Lugar incrível.

E a mortadela me faz lembrar de um amor antigo que sempre tive pelo português. Ah, o português da esquina... sofri tanto com ele, mas não vivo sem ele! Foi por isso que tive tanto interesse na exposição “Menas” apresentada até o mês de julho no Museu da Língua Portuguesa. Ela fazia pensar na popularidade que certas palavras ganham a ponto de nos confundir entre o certo e o errado.

Tinha um filme com uma mesma atriz interpretando quatro “Normas”: a culta, a gramatical, a coloquial e mais uma que não me lembro agora. Elas conversavam sobre o modo diferenciado como usamos as regras do português com os colegas de trabalho, com a família, com os amigos de longa data e outros. De fato, a linguagem vareia, ops! varia...

Por isso a mortadela me lembrou o português, e o português me lembrou que comecei texto falando da primeira vez na zona cerealista, no centro velho de São Paulo.

Para quem precisa de produtos naturais, orgânicos ou diet, agora eu sei e posso recomendar, o lugar ideal para se comprar a um preço melhor do que nos mercados de bairro, é ali.

E como disse o Alexandre, meu guia de turismo contratado desta vez, foi uma aventura, mas valeu o esforço! Voltei pra casa naquelas condições ditas no início, mas com bons ingredientes para uma alimentação bastante saudável.

Depois, foi só tomar um banho quente, prender os cachos, e fazer a primeira vitamina com o Malto, que estava com o saco furado mas foi trocado a tempo, logo depois de me polvilhar! Foi divertido, e quando acabar tudo eu volto lá com meu guia, é claro, pois chegar lá é meio barra pesada, mas compensou dessa vez.


Loja visitada: Cerealista Arroz Integral
Endereço: Av. Mercúrio, 216 (Próx. ao Mercadão Municipal e ao antigo prédio da Prefeitura)
Preços médios: Malto Kilo R$6,50 / Graviola Kilo R$7,00 / Barrinhas de Cereal pacote com 15 unidades R$7,50


TG
30/08/2010

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ócio criativo - Domenico De Masi



OBS: Ontem esteve no programa Roda Vida, exibido na TV Cultura, o escritor e sociólogo Domenico De Masi, autor do livro "O ócio criativo". Durante a entrevista, o autor debateu com os jornalistas sobre o modelo ade sociedade em que vivemos, subordinado ao consumo e à indústria. Ele é a favor das novas tecnologias e das possibilidades de comunicação atuais, mas alerta sobre "como" fazemos uso de tais recursos tecnológicos. Algum tempo atrás, xeretando numa biblioteca, achei o tema interessante e peguei o livro emprestado para ler. Fiquei impressionada com o modelo de vida que o pesquisador coloca, propondo que a sociedade trabalhe menos, ocupe mais o seu tempo com o intelecto e desfrute da sua imensa criatividade. Segue um artigo, escrito por mim, em junho de 2010, que revisa a evolução do trabalho, da manufatura ao uso da tecnologia, e termina com o que  ainda considero uma excelente ideia, pois sou mais feliz enquanto estou em pleno processo de criação! 


HISTÓRIA REGISTRA 
A EVOLUÇÃO DO MANUAFATURADO AO TRABALHO VIRTUAL

Nos livros de Teoria da Administração encontram-se referências a Taylor, Ford, Weber, termos como burocracia, hierarquia, estrutura, engenharia de empresas. Mas, antes de tudo isso, observações interessantes se fazem desde a Idade Média, como aquelas citadas por De Masi (2000) no livro Ócio Criativo em que um capítulo é dedicado a relembrar como era o trabalho naquela época: as oficinas existiam no mesmo local em que as famílias moravam, os trabalhadores eram os membros daquela família e as crianças cresciam a medida em que aprendiam o ofício, o que perpetuava o negócio familiar e o seu aprimoramento.

A criatividade se consolidava no trabalho artesanal, em cada oficina era projetado, produzido e vendido o objeto. Como o mercado era pequeno, a prática de troca também era comum, o que facilitava as relações comerciais e não causava necessidades econômicas de ampla escala, focando-se na necessidade local. No mesmo espaço físico o líder da casa era também o líder da empresa, ali todos cumpriam com suas obrigações familiares, pessoais e de trabalho. E assim a história continuou até que os primeiros avanços tecnológicos permitiram o surgimento da era industrial.

Com a era industrial também surgiu a sociedade industrial. Na fábrica o ambiente não era mais familiar, havia o deslocamento físico, criou-se etapas para a produção em massa, não havia mais a necessidade de se pensar num objeto com um ciclo de produtividade completo, cada seçâo desenvolvia uma parte específica da produção, e assim sucessivamente, com o uso de máquinas que repetiam inúmeras vezes o mesmo movimento, numa cadeia de montagem.

Na sociedade daquela época ficou estabelecida a separação entre atividades do trabalho e do lar. A primeira, considerada a mais importante, ficou a cargo dos homens, e a segunda, menos importante, a cargo das mulheres. Tudo fica mais racional, a tecnologia continua se desenvolvendo e criando novas necessidades, como por exemplo, de se criar meios para vender tantos objetos iguais. Vem as chamadas lojas de departamentos, os supermercados, as tabelas de preços fixos,

De Masi (2000) continua sua narrativa dos fatos até chegar ao teletrabalho como uma tarefa capaz de extrair o melhor entre o artesanato e a indústria, ressaltando que antigamente a produção era em unidades distintas, cada família produzia algo completo e atualmente a produção se dá em unidades dependentes umas das outras, e basicamente o que será trocado agora será informação, comunicação, matérias-primas não-materiais ligadas por vias telemáticas.

Este é o que De Masi (2000) chama de terceiro tipo de trabalho (após o artesanato e a indústria): o trabalho flexível, criativo, que deixa a parte motora para as máquinas e reserva ao homem a parte intelectual, de execução.

A evolução tecnológica é o fator que mais expandiu a era da informação e cada vez mais surgem meios de se manter contato com pessoas distantes no tempo e no espaço, o que propõe uma nova forma de comunicação, que não depende de presença física para acontecer. A interação agora se dá por computadores, correio eletrônico e ainda por fax, telefone e outros instrumentos que eliminam distância, ganham tempo e implicam diretamente nas questões econômicas.

A nova geração, que nasceu depois do advento da televisão - e principalmente da Internet - acha normal que a comunicação se dê por meios tecnológicos e que a presença física seja dispensável já que o que realmente precisa ser exportada é a ideia, a criatividade, o projeto, e não as pessoas.

Quando indagado sobre a semelhança ou possível comparação entre a tecnologia de hoje com o ritmo da produção industrial, De Masi afirma que: “velocidade significa capacidade de conquistar terreno em relação aos outros na corrida da vida” (DE MASI, 2000, p.187). Ela existiu daquela forma na era industrial e existe agora em novo formato na era pós-industrial, com a finalidade de imaginar o futuro, criá-lo e impô-lo aos outros.

Passou-se da sociedade rural para a industrial e da industrial para a pós-industrial, que favorece e privilegia a mente criativa, intelectual, mas exige um corpo quieto numa mente agitada, o que De Masi (2000) chama de ócio criativo. Enquanto as máquinas trabalham em um ritmo acelerado, o homem aproveita seu tempo de forma mais criativa, podendo inventar, elaborar, projetar e sair na frente dos outros para patentear suas idéias e adquirir direito aos royalites. Esta é a nova corrida para o futuro e o teletrabalho contribuirá muito para isso.



REFERENCIA BILIOGRÁFICA:

DE MASI, Domenico. O Ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

Talita Godoy 
27/06/2010



LEIA TAMBÉM O ARTIGO ANTERIOR (publicado originalmente em 2010):

http://talitacomunica.blogspot.com.br/2013/01/capital-humano-e-seu-valor-nas.html

SOBRE O VALOR DO CAPITAL HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES.


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Capital Humano e seu valor nas organizações


Administração participativa reconhece
valor do capital humano


    O valor intelectual para uma empresa está no colaborador. Por meio da comunicação organizacional se dá a potencialização deste valor. Neste ponto surge como tendência a administração participativa.



     O modelo participativo utiliza como principal ferramenta de gestão os processos comunicativos. O empresário Ricardo Semler (2006) insiste neste modelo por tratar o colaborador com o máximo de atenção possível, pois nele está o maior capital da empresa, o valor intelectual de cada um. Ele defende a idéia de que conhecer o colaborador o permite perceber suas reais habilidades e que há um lugar estratégico para ele na empresa.

Este encontro promove o homem certo no lugar certo e, se estiver satisfeito, o colaborador tem totais possibilidades de desempenhar sua função da melhor forma possível. Ele acredita que a satisfação do colaborador diminui a rotatividade de funcionários, aumenta a credibilidade da empresa, gera maior envolvimento do colaborador com o seu trabalho e com os resultados da organização, entre outros benefícios.

Semler (2006) herdou uma empresa familiar e soube como romper com a velha maneira de administrar, repleta de padrões, convenções, normas e tradições. Para ele o modo antigo em nada contribui, já está obsoleto, ultrapassado, e em termos gerais, o mundo hoje está pior do que era há 50 anos.

Ele propõe um combate à educação conformista, a enganação grotesca, ao modismo nas organizações que surgem de tempos em tempos. O empresário  aponta:

"Uma meia-vida do uso dessa ferramenta tríplice (o uso de 3 por quês) tem me mostrado que a primeira resposta todo mundo tem. A nossa educação conformista e conformadora dá conta disso. Aprendemos a perguntar apenas quando é a hora certa, e sentarmos por horas ouvindo bobagens e decorando-as, a sermos treinados e uniformizados ad nauseum, a desejarmos o que a sociedade nos ensina que devemos desejar. Como resultado, vamos consolidando nossas respostas e visões, a ponto de ficarmos calcificados nas nossas afirmações, no que Goethe tratava como weltanschauung – jeito de enxergar o mundo. (...) São esses mecanismos antropológicos de conservação que impedem a mudança acelerada da sociedade" (SEMLER, 2006, p.13). 

Em sua crítica ao “jeito velho de fazer as coisas”, Semler (2006) coloca que isso é bom para pessoas que lidam mal com excesso de novidades:

"A velocidade de assimilação não se compara com o do avanço da tecnologia. E esse descompasso gera o mal estar – lembra um ditado árabe que diz que a alma viaja a camelo. Ou seja, não adianta correr com a tecnologia, os humanos demoram para acompanhar" (SEMLER, 2006, p. 14).

Com esta análise, o que Semler (2006) propõe é parar com embromação e ir direto ao ponto: tratar o colaborador como um indivíduo digno de respeito, consideração e se quiser ter o colaborador como um forte aliado, fiel, engajado, ele tem que ser tratado em primeiro lugar como ser humano capaz de tudo isso.

Uma das idéias foi criar o redondograma, algo que expressa bem a prática administrativa ao estilo Semler:

"A idéia era simples. Se a pirâmide lembrava uma auto pista de oito faixas que se afunilava para quatro, depois duas e uma só, era fácil imaginar a competição e falta de humanidade de um desenho desses. E qual, afinal o mecanismo de poder numa organização? Há o poder artificial, o da caixinha num organograma, das estrelas no ombro, do decreto-lei, que só funciona se o sistema de penalidades for forte. O outro formato do poder é o respeito natural. Esse é simples, quando está em vigor funciona com eficiência. Mas quem é respeitado por uma questão técnica, ou moral, por exemplo, não o é, necessariamente como líder..." (SEMLER, 2006, p.114).

Segundo ditado popular que bem se aplica no meio empresarial, o poder está fundamentado na informação:

“Poderoso é o que tem e retém a informação que os outros não têm". É neste sentido que a comunicação destaca-se como uma poderosa vantagem competitiva. Simplificar os processos, tornar a administração mais horizontal, com poucos níveis hierárquicos, contribui para facilitar os meios de comunicação, informação e conhecimento.

Semler (2006) alcançou o “quase impossível” com o seu sistema pessoal de comunicação - “Simples, é verdade, mas quase impossível, se consultados os experts em administração”.

Desta forma Semler (2006) tornou sua empresa vencedora. Ao considerar seus colaboradores como um capital intelectual vislumbrou a necessidade de simplificar e melhorar a comunicação interna e assim destacou as habilidades internas.

"Empresas vencedoras são aquelas que alcançam a superioridade nas habilidades internas, e não apenas nas competências centrais. (..) Embora cada departamento possa ter competências centrais específicas, o desafio é desenvolver uma capacidade competitiva superior no gerenciamento dos processos-chave da empresa. Staek chama isso de concorrência baseada em capacidades" (KOTLER 2006 p. 52).

No exemplo da Semco, Semler (2006) demonstra a filosofia da organização:

"O que queremos afinal, não é simplesmente ter uma empresa democrática. De pouco nos adiantaria uma democracia do trabalho, resultando no fracasso financeiro. Mas também um sucesso econômico que usasse a mão de obra como simples instrumento que enriquecesse apenas os acionistas também não nos parecia competitivo e sustentável. Não coloco aqui questões morais, dizendo que a falta de democracia não seria justa ou ética. Estou afirmando que é também melhor negócio e melhor fonte de gratificação" (SEMLER, 2006, p.115 ).

Esta idéia é defendida como um valor, como uma arquitetura para o futuro que fornece ferramentas de gestão mais inteligentes e condizentes – e condizentes com os aprendizados sociais da humanidade (SEMLER, 2006 p.115).  E até os executivos mais “durões” do planeta param para pensar no assunto, apesar da total descrença em seus métodos revolucionários.

O empresário Ricardo Semler é observado aqui de maneira detalhada por ser um dos poucos que realmente mostram a situação como ela é. Ele afirma como é o comportamento dos funcionários que desistem de tentar falar, pois percebem que não serão ouvidos e limitam-se a cumprir a função para a qual foram contratados.

E comenta: "(...) que vida mais medíocre, e que desperdício de potencial! (SEMLER, 2006, p.160).

Nassar (et al, 2005, p. 120) coloca bem sua posição sobre o colaborador saber para onde vai e propõe a Ação Estratégica, desenvolvida por Jurgen Habermas como a Teoria da Ação Comunicativa. Se os interesses da organização vêm de cima para baixo tendo o colaborador como agende passivo na comunicação, o que recebe e cumpre, ele depende de clareza para a sua compreensão.

Mas quando os princípios não são bem entendidos, as respostas apresentadas não correspondem às esperadas em conseqüência disso; o mesmo acontece em qualquer esfera da vida, seja ela familiar, social, não apenas na profissional.

A linguagem orientada ao entendimento atua para coordenar a ação. O autor ressalta a importância de se ter o colaborador como “protagonista no processo de comunicação”:

“...estabelecer uma ação gerencial dialógica onde o entendimento, o comprometimento e os conseqüentes resultados podem ser surpreendentes” (Nassar et al, 2005, p. 121).

Nassar (2005) cita dois tipos de gerência quanto à comunicação: Gerência Monológica – Trabalhador em massa (Fordismo) e Gerência Dialógica – Flexibilização organizacional (Pós-Fordismo), este segundo considerando o trabalhador como um ator não coadjuvante.

Trazendo o colaborador para o papel principal da comunicação interna o ganho será alto. Ele tem que fazer parte dessa estratégia. Ser espontâneo e participar do processo de comunicação nos negócios tem uma expressiva parcela de influência sobre o cliente externo.

Albert Mehrabian, um professor da UCLA, realizou uma série de estudos famosos no começo dos anos 70 sobre a importância relativa dos diferentes tipos de comunicação na transmissão do significado. O que ele constatou foi surpreendente: só 7% do significado das comunicações derivavam das palavras em si. Os outros 93% se deviam a pistas não verbais – 38% do significado provinham da forma como dizemos as coisas (tonalidade) e 55% do significado, da fisiologia da comunicação, da linguagem corporal (FUGERE et al, 2008 p. 166).

Sendo assim, não importa tanto o script verbal e nem as palavras ou comportamentos minuciosamente programados para acontecer, se aquilo tudo apagar a personalidade do colaborador: os 7% dos manuais terão eficácia perante os 93% que dependem inteiramente do capital intelectual de maior valor para a empresa - o colaborador.


QUESTÃO ÉTICA

E não apenas o conhecimento é um valor intelectual, mas o comportamento em si, quando se usa a ética na vida e nos negócios: Uma boa atuação ética é simultaneamente uma boa atuação profissional.

"A ética revela nos homens algo de mais valor que a simples atuação. A ética empresarial é uma exigência da pessoa, qualquer que seja seu trabalho (...). 
Em muitas empresas, imersas na competitividade e sem tempo para nada, os trabalhadores são apenas 'recursos humanos'. (...) A ética limita oportunidades de negócios? A busca da rentabilidade não se opõe necessariamente À ética, pois existem qualidades graças as quais se trabalha mais e melhor; e porque existem outras dimensões da vida que pressupõe limites à rentabilidade. Por exemplo: 'As normas são boas para todos, mesmo que num momento particular não me favoreçam', ou seja, a resposta a essa pergunta poderia ser: 'não é só isso e não é sempre assim'" (CLAVO, 2008 p.122).

Cabe ao gestor de comunicação transmitir - e até mesmo traduzir, se necessário - os valores éticos da organização lembrando que o comportamento da organização se reflete num grupo maior de pessoas, todos aqueles que são direta ou indiretamente ligados a ela.

Ter respeito significa reconhecer que os indivíduos sustentam relações fora da empresa, possuem autonomia, privacidade, dignidade, direitos e necessidades.

Por outro lado, os executivos devem respeitar a propriedade intelectual e privada, tendo cuidado especial quando a atividade comercial envolve a propriedade alheia (pública ou da natureza).

Em suma, o comportamento baseado nesses valores beneficia toda a sociedade, a empresa e a economia na qual a empresa se insere (CLAVO, 2008 p. 127).



VISÃO HOLÍSTICA

Sendo a comunicação integrada ponto fundamental no processo de administração de empresas, seria um ato falho desconsiderar o colaborador como ser antropológico, ser pensante, composto por alma, emoções, sentimentos, ser humano, pois é exatamente para ele que se destina a comunicação integrada.

Não apenas saber o que acontece em sua área de atuação é importante ao colaborador, mas ter uma visão holística da empresa, também para que ele compreenda, participe, se posicione, passe a perceber que há uma função na sua atividade. As pessoas simplesmente não entendem a razão de fazerem o que fazem. É por isso que o problema maior de qualquer empresa é sempre comunicação.

“'Ei, João, por que você acha que temos o direito de existir como empresa? Você entende em que contribui para isso?' João, normalmente, não tem a menor idéia da resposta. Nem entende as perguntas. João não sabe por que tem direito a um salário. A maioria das empresas esta cheia de Jooes. Pode apostar que, na enorme maioria delas, as pessoas não tem noção da idéia básica que garante a existência dos seus empregos" (NÓBREGA, 2001 p. 73).

Por meio de todo o material de comunicação interna o colaborador se capacita para criar e manter um bom relacionamento interno e com o cliente externo. A administração pode enxergar o colaborador assim, como um ser por completo, cheio de necessidades, aspirações, interesses e dúvidas e mais do que isso, um ser altamente capaz de realizações incríveis.

A informação é uma ferramenta que preenche muita dessas lacunas e, quando possível, dar ao colaborador o acesso à informação é uma maneira de demonstrar o respeito necessário e de facilitar a excussão de processos.

Trabalhar é um ato social exercido desde a portaria da empresa até a sala presidencial e numa mesma empresa estão todos envolvidos num só processo.






BIBLIOGRAFIA


CLAVO, Luiz Claveto. Aristóteles para executivos – como a filosofia ajuda na gestão empresarial. São Paulo: Globo, 2008.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

NASSAR, Paulo. O que é comunicação empresarial. São Paulo: Brasiliense, 2006.

NÓBREGA, Clemente. Supermentes: do big bang à era digital. São Paulo: Negócio Editora, 2001. 

SEMLER, Ricardo. Você deve estar louco! Uma vida administrada de outra forma. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.






POR: TALITA GODOY - 28/11/2010


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