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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Reflexões e teorias da comunicação - Parte I



REFLEXÕES E TEORIAS DA COMUNICAÇÃO



O que é comunicação?
  •   Meio de interagir socialmente?
  •   Meio de criar laços afetivos entre pessoas e grupos?
  •   Meio de expressão de sentimentos, pensamentos e outros?
  •   Estratégia para exposição de ideologias?
  •   A comunicação é um meio ou um fim? 

Como se dá a comunicação?
  •   Via tecnologia: telefone celular, internet, redes sociais;
  •   Veículos de massa tradicionais: televisão, rádio, jornal impresso, revista;
  •   Por meio da arte: música, poesia, artes plásticas,
  •   De forma interpessoal: meio verbal (uso da linguagem falada ou escrita) e não verbal (postura corporal, gestos, movimento facial, vestimenta, comportamento). 


·         O que você observa na figura abaixo?  As pessoas estão interagindo?  Há sinais de comunicação verbal e/ou não verbal? Você é capaz de se expressar em silêncio?







Definição de Comunicação:

Algumas delas: compartilhar, tornar comum, dialogar, trocar informações, dar e receber feedback.

A comunicação vai além do fornecimento de dados e informações. Ela indica “ação” (como numa via de mão dupla, onde há uma resposta).

Para Aristóteles, o objetivo da comunicação é persuadir, influenciar.

A oratória é a arte da persuasão por meio da palavra falada. Segundo os gregos, o político não só deve ter bons argumentos como deve, também, convencer seu auditório.

Campos de estudos da comunicação: funcionamento social, poder, conhecimento, política, democracia, economia, tecnologia, psicologia.



Comunicação em ação

Estudar o fenômeno da comunicação implica considerar a forma em que se estruturam, produzem e recepcionam os diferentes tipos de mensagens. Também se pode centrar no estudo das ideias e valores que circulam através dos meios e as relações de poder que se vinculam através deles.

Também se pode analisar as possibilidades de produzir, receber e de participação nas mensagens, conforme determinados grupos, classes e nacionalidades;

Além da reflexão acerca das tecnologias, a comunicação aborda o estudo e análise dos acessos e usos que se dão a essas ferramentas pelos distintos atores e setores sociais.

A reflexão sobre a comunicação como fenômeno social data de tempos remotos. A sociedade é impensável sem comunicação e, como toda atividade humana, é uma prática completa e cheia de aspectos fascinantes.
A intensa atividade política na antiga Grécia obrigou a sistematizar o processo de comunicação. O objetivo: convencer o auditório. Em sua “Retórica”, Aristóteles define os componentes da comunicação:






Os termos “Comunicar” e “Comunicação” aparecem pela primeira vez na língua francesa na segunda metade do século XIV.
Em seu sentido básico, supõem uma ação comunitária de participar em comum, colocar em relação e remetem ao vocábulo latino “communicare”. Em inglês, são provenientes da raiz “communis”.
Ao se comunicar, as pessoas coparticipam, convivem. Na Idade Média adotou-se à ação de comunicar o sentido de “atuar em comum”.
A palavra “religião” tem um sentido parecido: vem do latim, “religare”, reunir, juntar.

Influências do capitalismo

O capitalismo comercial provocou mudanças no sentido “comunitário” da expressão. No século XV, os objetos de uso diário se tornam “mercadorias”, bens que se podem comprar e vender. E nesse contexto, a ideia de comunicação se translada a um objeto, torna-se algo que pode ser trocado, comercializado.

O capitalismo industrial, a partir do século XVII, e fundamentalmente do século XVIII, gera um crescimento nas fábricas, na produção e no consumo. O comércio cada vez maior de mercadorias requer o desenvolvimento de sistemas e canais eficazes para seu tráfego.

Transmissão

O termo comunicar – originalmente ligado a ideia de compartilhar, participar em comum ou colocar em relação – se entende como transmissão de um ponto a outro. Este significado predomina no século XIX com o surgimento da prensa e logo, no século XX, com o surgimento de meios de comunicação massiva (ou de massa).

Meios de comunicação: rádio, televisão, jornais, revistas e outros, num processo unidirecional.


Teoria Matemática de Shannon

A teoria matemática da informação foi desenvolvida em 1948, pelo engenheiro eletrotécnico e matemático Claude Elwood Shannon e Waren Weaver, com o desafio de encontrar uma maneira de comunicar a maior quantidade de mensagens com a menor interferência e o menor custo possível. A preocupação não é com a parte humana, e sim com a tecnológica.


Elementos da comunicação

Mensagem: se refere a palavra mesma, ou o sinal utilizado (falada, escrita);
Codificador ou emissor: aparato que transforma a informação em uma modulação física suscetível de ser transmitida por um canal. Por exemplo, o telefone transforma a voz em oscilações elétricas, quer dizer, cumpre a função das cordas vocais sobre a voz falada;
Canal: é o meio utilizado para transmitir o sinal desde o emissor ao receptor;
Decodificador ou receptor: efetua, geralmente, a operação inversa à realizada pelo emissor, decodificando o sinal para construir a mensagem (interpretação, compreensão da informação que lhe foi passada);
Destino ou destinatário: pessoa a quem chega a mensagem;
Ruído: qualquer fenômeno perturbador que venha a interferir na recepção.
  



Ruídos na comunicação

O ruído é a presença externa e aleatória de interferências que impedem a perfeita correspondência entre os polos na comunicação (emissor e receptor).

À medida em que o ruído aumenta, a comunicação se torna menos eficaz.

O conceito de comunicação é, portanto, oposto ao conceito de ruído.

A informação é a quantidade mínima de unidades que permitem ao receptor reconstruir a mensagem de maneira correta.

Quanto mais clara a informação, menos elementos se necessitam para ser compreendida, e mais protegida contra os ruídos.

O ruído causa distorções que podem comprometer a boa recepção da mensagem.

O modelo matemático de Shannon considera apenas os fatores técnicos da comunicação, não considerando os aspectos humanos envolvidos.


 Feedback

Norbert Wiener (1894 – 1964) foi professor de Shannon. Ele trabalhou a noção de feedback em 1948, vendo o processo de comunicação pelo viés sociológico, ou seja, pelas condutas humanas e sociais, o que se distancia do esquema linear de Shannon.

O feedback implica naquilo que chega no final do processo de comunicação, que provoca uma reação no receptor. Esta reação também pode influir no polo emissor.

O esquema de Wiener surge de uma preocupação pelo funcionamento técnico das máquinas. Por isso, quando se transmite, a comunicação humana pode parecer algo abstrato.

Por exemplo numa briga: um fala alto, o outro responde alto também, e o primeiro aumenta ainda mais o tom de voz e assim sucessivamente (retroação positiva, onde ambos fazem o mesmo). Em vez de elevar a voz, um deles poderia simplesmente reclamar, de forma educada ou pedir desculpas e não reagir elevando a voz, como o outro (retroação negativa).


Assunto amplo que não para por aí!

Saiba mais em:








FONTE: Comunicacion para principiantes



***

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Arboretum - Botanic Garden



Há muito tempo eu não me sentia tão encantada num lugar como neste parque chamado Arboretum. Inicialmente a área era parte de uma casa de campo, de um homem extremamente rico e amante profundo da natureza.  Ele preservou o lugar, transformando-o num parque para visitação pública. Inclusive sua antiga casa ainda está lá, aberta para os interessados saberem mais sobre sua origem, sua trajetória e conquistas. Por um lapso da minha parte, não produzi este texto antes, enquanto as informações estavam frescas na memória e o folheto de informações ainda estava em minhas mãos. Mas, falha minha a parte – durante uma pausa de descanso como jornalista por formação – o mais importante é descrever o que não saiu da memória, justamente por que ainda consta no sentimento que aquele lugar trouxe à minha alma.



Por falar em encantamento, teve o visual, que é a primeira observação que faço ao chegar num lugar novo. Ele é extremamente amplo, tem vasos imensos com plantas e flores coloridas, espalhados em pontos específicos pelo caminho do visitante. O parque em si é um grande jardim bem cuidado, colorido, com muitos tons de verde e diferentes flores. Sua ornamentação é, de fato, muito agradável aos olhos. E parece não terminar, a cada volta, uma surpresa.



O segundo encantamento foi o olfativo. Plantas, flores, árvores...dão ao lugar um perfume único de ar puro, natureza viva, conservada pelo homem para nos lembrar que esse é o nosso dever, cuidar dela como se fosse o nosso maior tesouro na Terra. Não era apenas um cheiro, mas um perfume todo especial de natureza que ainda sinto quando lembro do lugar.

O terceiro modo de encantamento que senti naquele parque foi o auditivo. Um silêncio que era sinônimo de paz na alma! Ao mesmo tempo o som da natureza quebrando o silêncio, mas fazendo parte dele, compondo uma música de fundo para aquele cenário tão lindo. Podia-se ouvir o som dos pássaros, das árvores balançando suas folhas ao vento ou dos galhos se mexendo com o pulo das aves, que saltavam sorrateiramente entre as folhagens, ou mesmo de pequenos habitantes como os esquilos, que atravessavam o caminho ou brincavam nas imensas áreas de grama perto da área de descanso dos visitantes.

Um espetáculo da natureza, moldado pela mão humana. Assim podemos definir o parque Arboretum, lugar que vale muito a pena conhecer. Quem sabe um dia eu volte em plena primavera, imagina? Mesmo no inverno, dizem que a paisagem continua linda, com outro tipo de vegetação que brota só agora. Como fui conhecer o parque no verão passado e agora estamos no inverno, creio que ainda é possível planejar uma meta de visitar o parque nas quatro estações e só depois apontar qual delas é a minha preferida! Fica a dica para as minhas sisters...rs!










Informações:

Dallasarboretum.org



Agosto / 2015

UMA TIA NO RINGUE






Ontem assisti pela TV o evento esportivo UFC Fihgt Night. Uma série de lutas que combinam Jiu-Jitsu com Muay Thai , o que não certos golpes - como dedo no olho – visto no episódio em que Velasquez o fez por duas vezes, e mesmo assim foi campeão. Achei muito injusto, mas esportes têm disso também.
Achei incrível como a emoção de ter assistido ao vivo nem se compara com assistir agora pela TV. Também fiquei impressionada como 15 dias em contato com o Muay Thai mudou minha visão sobre o esporte. E acompanhar os treinos dos meus sobrinhos, ainda que de forma distante, também me fizeram ver o Jiu-Jitsu com outros olhos.
Eis um fator na minha vida pessoal que amo: assumo que às vezes tenho até mesmo um certo preconceito com aquilo que não conheço, mas procuro não virar a cara simplesmente detestando alguma coisa; na maioria dos casos prefiro dar uma chance para descobrir algo novo, desmistificar o desconhecido. Algumas vezes me surpreendo, como no caso da Praça Roosevelt. Tem o texto de 2010 como melhor exemplo disso.   
De ignorante no assunto, passei a ter interesse quando meu sobrinho Daniel Dykeman quis se tornar um profissional no MMA – Mixed Martial Artes. Ele deve ter feito umas duas ou três lutas no interior de São Paulo, e finalmente chegou a primeira vez na capital, onde eu morava. 
Como boa tia coruja, larguei tudo para assistir pessoalmente a luta, mesmo que do outro lado da cidade. Sammy Franco, meu outro sobrinho que também é lutador de Jiu-Jitsu, veio ao nosso encontro para completar minha alegria (vou lançar a campanha #voltasammyvolta para que ele continue treinando). 
Eu não me lembro de outra vez, anterior a essa, em que meu coração ficou tão acelerado, tenso e feliz ao mesmo tempo. De certa forma estava preocupada mas tinha tamanha certeza da vitória do Daniel, que, mesmo tão aflita, sentia junto uma alegria imensa, inexplicável.
E lá fomos nós três. Eles dois nos bastidores do espetáculo, e eu na arquibancada. Minutos antes ele apareceu, corri para dar um beijo nele, um abraço apertado e dizer: “Wow...eu não sabia que eu amava tanto assim você! Estou sentindo agora, nesse instante uma loucura aqui dentro da minha alma”! Ele respondeu: “eu vou vencer, tia, eu sinto que vou vencer”! (Aí sim assumi ser tia de alguém, por que meus dois sobrinhos só me chamavam de Talita, rs!).
A adrenalina estava a mil por hora. Eu não sabia se conseguiria assistir a luta de perto do octógono. Disse que ficaria mais distante. Mas quando o nome dele foi anunciado para a luta seguinte, não hesitei. Peguei tudo o que estava comigo e corri para mais perto. Quase enfartei, mas fui!

Achamos que até poderia ser um combate fácil, o adversário não era dos mais difíceis, mas quando o gongo soou, o adversário deu trabalho sim. Soube se esquivar muito bem, apesar de não ter aplicados muitos golpes, estava duro de acertar bem no alvo. E não resistiu ao “arm lock” (vou conferir se estou escrevendo certo os termos técnicos e considerando que sejam estes mesmos!). Dois minutos e meio de luta e pronto, eis o campeão, meu sobrinho Daniel, dando um pulo na grade, em direção aonde eu estava antes para jogar um beijo com um grito de vitória! Depois, mais calmo, um abraço extremamente afetuoso no seu irmão Samuel, que entrou no ringue para celebrarem juntos. 

Eu? Não, ainda não. Era muito tímida para tanto...


E timidamente, esperei a saída deles e mesmo com o corpo todo molhado de suor, me deu o melhor abraço que já recebi em toda minha vida – abraço de vitória, que delícia!
Primeira luta e primeira vitória que acompanhei, não poderia ser melhor!
Como complemento – sim, o que de fato muito contribuiu para a noite ser incrível – encontrei duas pessoas muito queridas, Willian e Silvia. Eles foram meus alunos de faculdade, e não tive como avisá-los antes que estaria no evento. O engraçado é que tive certeza de que nos encontraríamos. Assim foi, e ambos me acolheram muito bem, me fizeram sentir menos deslocada, por ser algo tão inédito para mim.  Minha certeza se dera porque Will também luta Jiu-Jitsu e o evento era bem próximo da casa dele. Tinha tudo para esse encontro acontecer, e foi surpreendente, por outro motivo que seria tema para um novo texto...! 
E veio a segunda luta do Daniel. Mesmo clima tenso, muita correria no dia, distância, viagem longa marcada para o dia seguinte, e um adversário de dar medo.


A diferença entre os combatentes era larga. Um deles com quase 30 anos de idade, 25 ou 26 lutas, maioria vitórias, um cara mais alto, aparentemente mais preparado do que meu novato sobrinho Daniel – 20 anos de idade, cinco lutas, uma derrota no currículo.



                      
Dykman, punho azul, golpeando Rasputin, punho vermelho 
                                                  (Foto oficial do evento).



Qual seria a estratégia para vencer dessa vez? Como seria o preparo, dia após dia para o melhor resultado possível?
Não era assunto da minha alçada, mas... quis o destino que, nas 08 semanas que antecederam a luta, eu estivesse em Piraju, interior de São Paulo, passando uma temporada junto com ele e com o Samuel.
A tia e os dois sobrinhos pegaram firme nos treinos. Logo cedo academia de musculação. Dois ou três vezes por semana treino de Muay Thai, sendo que eles iam no mesmo treino por até três vez ao dia, somando nove vezes por semana, fora o sábado, os exercícios extras e mais o Jiu-Jitsu. Bom lembrar que isso era esquema de atleta, a tia ficava só na musculação de manhã e algumas poucas aulas de Muay Thay, o que já foi um enorme passo em cinco anos sem frequentar uma academia.
Pois bem, chegou o grande momento. Semana da luta! Para mim, stress em dose tripla. Tinha duas provas de um curso de Pós-graduação para fazer, além do exame de moto-escola. Inventei de aprender a pilotar moto nesse meio tempo, e foi uma outra aventura, digna de mais um novo texto (aguardem!). Voltando ao foco, não foi fácil controlar as emoções naquele meio de novembro.
O plano era ir para São Paulo de mala e tudo. Na sequência faria uma viagem um pouco mais longa e para mais longe, EUA. Depois da luta, provavelmente não veria mais os meus sobrinhos por, pelo menos, alguns meses. Para mim, Daniel vencer, seria uma alegria a ponto de um enfarte, tão emocionada e envolvida que eu estava.

E dessa vez a coisa começou bem diferente. Fui VIP! Com acesso livre, fiquei junto com o time CTB – Centro de Treinamento Boinha. Estávamos bem próximos ao octógono, às vezes todos juntos assistindo as demais lutas, outras vezes eu sozinha quando a equipe descia para aquecer ou simplesmente para controlar os ânimos. Fiquei parada ali, apenas observando e notando o quanto meu conhecimento sobre MMA havia aumentado, ...não muito, mas o suficiente para entender um pouco melhor o que acontecia no ringue. Deu para fazer cara de inteligente e tudo. 
Clima tenso. A cada intervalo era anunciado o grande combate da noite, a luta internacional entre o brasileiro Rasputin e o americano Dan Dykeman.
Finalmente! Eles sobem no octógono. Eu estava por perto bastante alucinada, eu diria. Não sabia se ficava em volta, por perto, um pouco mais longe (isso tudo na área restrita), segundos antes do início da luta cheguei a ficar junto ao técnico e ao corner (numa linguagem bem simples, são aquelas pessoas que ficam do lado de fora, bem perto dos lutadores, gritando sugestões do que eles devem fazer).
Durou só um segundo mesmo, porque no exato instante em que entendi ser o lugar de profissionais, me afastei, e voltei ao cantinho onde estava, onde havia um telão que me permitiria acompanhar bem cada lance do combate.
Não vou detalhar a luta, pois o vídeo está disponível de várias formas na Internet, e eu não daria conta disso, mas apenas para demonstrar um pouco do que senti, vale a pena recordar o quanto aqueles dois foram incríveis no ringue. Ambos estavam no mesmo ritmo, na mesma sintonia, golpeando e se defendendo a cada segundo. Por vezes parecia que o Daniel ia dar o golpe definitivo, como no segundo seguinte parecia que não resistiria ao golpe do adversário. Ambos caíam e se levantavam, acertavam o golpe e eram golpeados. Muito difícil calcular o desfecho desse combate.

O Daniel sempre encerrava as lutas em pouquíssimo tempo. Creio que sete minutos e pouco foi o máximo que ele passou num ringue, ainda assim nunca havia passado do segundo round com 3 minutos. Apenas para situar, a luta profissional tem 03 rounds de 05 minutos cada. Intervalos de apenas 01 minuto.
O tempo parecia voar, ao mesmo tempo parecia tão lento que dava uma aflição incrível. Eu apertava minhas mãos, mordia os lábios, apertava os dentes, encolhia as pernas, esticava ao máximo, não havia como manter a musculatura relaxada. Era uma parte de mim ali no ringue lutando com todas as forças para sobreviver, não apenas vencer uma luta, mas era como se fosse uma batalha de morte! Era o que parecia, era o que eu sentia lutando emocionalmente junto com o Daniel.


Então, depois de 2 rounds inteiros e quase encerrar o terceiro, com 14 minutos e pouco no total, os dois agarrados, no solo e nas grades do octógono: Rasputin aplicou um golpe definitivo no Daniel, que bateu a mão ligeiramente no adversário, sinalizando a vitória do seu opontente.
Não acreditei. Por um segundo tive uma sensação de pânico, mas durou mesmo só um segundo. Dei um passo adiante, voltei, me virei e não resisti. Fui correndo ver de perto como estava o Daniel, fui sentir de perto o meu sobrinho.


Saí correndo com tudo, driblei quem estava no caminho, inclusive fotógrafos e cameraman. Subi as escadas em outro segundo. Fui abrindo espaço com as mãos, parei diante dele. Samuel e Boinha já estavam lá. Ele, sentado no chão, quase não conseguia erguer a cabeça para me olhar. Disse “tia...”
Eu me joguei de joelhos diante dele, quis tocar no seu rosto, mas estava com receio. Ele ergueu os braços e fui ao seu encontro, com os joelhos dobrados, no chão, me aproximei, corpo todo entregue ao melhor remédio do mundo para a minha dor: o abraço do meu sobrinho guerreiro, que havia passado por uma batalha tão intensa, tão dura, que eu não poderia imaginar nem no meu pior pesadelo. Deve ter doido mais em mim do que nele!
Sómente depois de alguns minutos conseguimos sair dali. Ele precisava se recuperar, descemos do ringue. Sentamos num cantinho qualquer. Um dos juízes se aproximou e quase me cortou ainda mais o coração ao dizer: “Daniel estava vencendo por pontos. Se tivesse só segurado por mais alguns segundos, teria ganhado a luta!”
Que experiência mais dura foi aquela! Que jeito mais difícil de aprender algo... Como doeu em mim...!!!


Depois veio um grande consolo. Ao sair e passar por nós, Rasputin fez questão de parar para cumprimentar o Daniel. Ele disse com todas as letras, em alto e bom som, que o Daniel tinha sido o adversário mais difícil de toda a vida dele: “Esse menino é muito resistente, duro demais de vencer”! Aí sim o sorriso da tia voltou ao rosto e os olhos continuaram a brilhar pela estrela da casa, meu sobrinho guerreiro Dan Dykeman.
Fico honrada de ter assistido essa batalha tremenda, ainda que não tenha sido uma vitória para "o nosso time". O aprendizado adquirido não tem preço, vale muito mais do que uma medalha de ouro. E quer saber? Na próxima estarei presente com você, de novo no ringue, seja lá qual for o resultado! 
        
Meu orgulho por você é o mesmo. Sei do seu espírito guerreiro e acredito no quando essa garra de lutar e vencer é tudo no perfil de um verdadeiro campeão.
Ao lutador profissional Dan Dykeman, Parabéns, seu nome ainda será conhecido e grande, como a sua garra e coragem.
Deixo aqui uma homenagem aos profissionais do MMA, atletas e equipe, por compreender melhor hoje o quanto é sério o trabalho de preparo, com treinos intensos, alimentação controlada, estilo de vida próprio de quem tem determinação e foco para atingir resultados.
Passar esses dois meses em contato com este mundo foi uma grande lição para mim. Espero seguir em frente tendo adotado, de fato, novos valores para minha vida pessoal. Um abraço ao amigo Boinha e família, pelo profissional que é e por nos ter aberto as portas da sua casa! Sucesso ao CTB!!!

Ao "sobrinho" Daniel, Parabéns em especial pelo seu aniversário, em 04 de Fevereiro - 21 anos agora! Te amo muito - estou ao seu lado - nem sempre fisicamente junto no tatami ou no octógno como daquela vez, mas absolutamente com toda alma e coração torcendo muito em cada luta para que seja comemorada a alegria da sua vitória. E se for preciso entrar no ringue de novo, grita! Te escuto, de onde estiver. Prometo! 


"""Te sinto um CAMPEÃO""".... 

FELIZ ANIVERSÁRIO...!!!!


Segue uma singela homenagem a você nas fotos abaixo:


































             Na foto acima, eu em minha primeira aula de Muay Thai com o Samuel e o professor Gustavo. Abaixo, na aula seguinte com o professor Bruno: eu
 (a mocinha do lado esquerdo) no meio deles levando o treino a sério....Uhuhuuuu!!!!





Thai...!!!


P.S. [Para saber mais: http://www.ufc.com/discover/sport








Talita Godoy


Janeiro/17/2016 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Retomando - I


Que saudades do Blog!

O ano já vai acabar e eu não havia publicado mais nada, que lapso meu...
Mas cá estou para colocar as notícias em dia.
Depois de um tumultuado primeiro semestre, especialmente na parte financeira, pois nem todas as instituições pagam em dia, e nem todas acertam o valor do teu salário, passei um longo período de férias viajando e curtindo muito a vida. É isso que se deve fazer para desestressar geral. Deu certo. 
Com a mente mais leve, abri mão de entrar no programa de doutorado, o que não era só isso, era abrir mão de um grande sonho, mas que levou em conta a situação do país. Ia ganhar bolsa de estudos, mas e se o governo cortasse, quem pagaria a minha dívida já que eu não tinha mais aquela reserva financeira que antes eu tinha? Claro que se não houvesse um plano B eu não pensaria no "e se", eu iria de cabeça mesmo, como sempre faço nos projetos em que acredito, mas em termos de estabilidade, não me senti confortável com essa crise política do país. Pedi demissão por achar um desrespeito imenso o que fizeram comigo bagunçando as minhas finanças, e no final das contas me disseram: sim, vamos ficar te devendo, mas você pode recorrer aos seus direitos na justiça. Foi bom porque jamais vou me arrepender de ter saído de lá, apesar da saudade da parte boa, mas tudo tem um limite! E como o meu contrato de aluguel estava no fim, resolvi entregar o meu doce e lindo apartamento ao proprietário e sair de São Paulo. Se é para buscar uma mudança, que seja radical. Para quem pode, eu sei, ou...para quem precisa muito, como eu. Vim para o interior, estou respirando ar puro, fazendo tudo sem pegar ônibus, saindo de casa para os compromissos com no máximo 20 minutos de antecedência, resolvendo 2, 3 ou até 4 coisas por dia. Aqui isso é possível porque tudo é simples e muito mais prático. As pessoas confiam umas nas outras, dão bom dia sincero, quando chove dá pra sentir o cheiro de mato, o rio fica cheio, e passa pelo meio da cidade. A vida ficou mais humilde, mais leve, dá tempo para me exercitar, ler mais, dormir na rede, colher fruta no pé e muito mais. Parecia que 2015 seria um ano péssimo, mas a situação se reverteu de forma inesperada. 
Lição que fica? Plante as sementes do bem, e nada vai te segurar onde você está se você quer seguir em frente. Tudo tem solução. Meu futuro ainda está incerto para o próximo semestre, mas tenho certeza de que será ainda melhor. Ao invés de sofrer com o que será, estou vivendo e curtindo muito cada minuto, fazendo dele o melhor. 
Li uma frase muito sábia esses dias: "a felicidade não é fim, ela é o caminho". Concordo plenamente...
Não quero deixar para ser feliz depois, estou vivendo o aqui, agora. Deu certo até aqui!
Quem sabe depois eu conte mais detalhes sobre este novo estilo de vida, agora estou curtindo mais um pouco.

Inspiração não vai faltar para eu logo escrever de novo sobre minhas reflexões. Me aguardem!

Abraços,
Talita Godoy
03/11/2015        

domingo, 21 de junho de 2015

Desenhos - Valéria Oliveira



Desenhos 

Com muita alegria, apresento a seguir os desenhos da artista Valéria Oliveira, aluna do 5º semestre de Publicidade e Propaganda. Me sinto honrada e até mesmo privilegiada por ter visto seus desenhos e agradeço pela confiança que ela teve em mim ao enviar uma parte do seu trabalho e permitir a publicação no Blog. Dessa forma posso mostrar aos leitores um pouco do talento dessa pessoa incrivelmente dedicada em tudo o que faz, e admirar mais um pouco este dom, que considero tão especial.... 


Parabéns, Valéria, que as portas do sucesso estejam se abrindo para você!!!













































CRÉDITOS: VALÉRIA OLIVERIA
CONTATOS: valeriadrawings@hotmail.com



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domingo, 7 de junho de 2015

Exposição: 100 anos de garrafa

Genial! Mais uma ação de Marketing de uma das marcas mais famosas do mundo veio alegrar o feriadão dos paulistanos, no Parque Villa Lobos, neste final de semana.

Quem estava passeando por lá, deve ter visto a tenda gigantesca montada pela marca para receber os visitantes e apreciadores do seu produto, o refrigerante vendido há mais de cem anos, presente hoje em todo planeta, em comemoração aos 100 anos da sua inconfundível garrafa. 





Na chegada, uma recepção para distribuir os “ingressos”, onde o convidado deveria preencher seu nome, e-mail e duas perguntas-chave: o quanto você gosta do produto e se consome ou não.

Fui sincera ao responder: indiferente, para a primeira pergunta e sim para a segunda, embora prefira sempre evitar, como o fiz bravamente quando logo na primeira sala da exposição foi servido um exemplar mostrando a temperatura considerada ideal para consumo: bem gelada.

Gostoso só de olhar, por isso mesmo me contento em consumir apenas com os olhos e com a imaginação...!!! Dizem que se você engana o cérebro por meio dessas sensações, não é necessário comer ou beber para se saciar, ele recebe uma mensagem de “consumido” e te deixa feliz, do mesmo jeito. #Fica a dica!

A mesma experiência tive quando trabalhei um tempo pesquisando alimentos orgânicos. Assisti a alguns documentários que me deixaram tão impressionada que a partir dali deixei de consumir alguns produtos industrializados, ou reduzi bastante outros. Notei como fazem mal ao organismo, pelo menos o meu ficou mais alerta, e não sentiu falta de hambúrguer e refrigerante, menos ainda de frituras e outras guloseimas. Tudo isso junto, então, chegou a dar nojo pela bola que vira no estômago, indo tudo paro o saco, ou seja, sem contribuir de forma alguma para o bom funcionamento do organismo. 

Então qual o sentido de gastar dinheiro com essas coisas, além de enriquecer o dono da indústria e o setor de saúde, que irá me tratar depois que meu organismo adoecer?  Deixo para consumir apenas em ocasiões muito especiais, sempre em companhia de alguém, porque sozinha, devo ter feito isso menos do que uma vez por ano desde os anos 2000. E não sinto falta, que bom.

Mas entendo o fascínio das pessoas por certos alimentos e outros objetos de consumo em geral. O problema é a danada da divulgação, do Marketing, da propaganda em si, que, sendo bem feita, parece hipnotizar o consumidor. Cria tanta paixão, que mesmo não sendo o melhor do mundo é consumido como se fosse, justamente porque as pessoas amam aquilo. E dá até medo do que o marketing pode fazer por um produto ou marca quando acerta na fórmula do sucesso. Sem dúvida, é o caso da Coca-Cola.  




Não sei se para os outros a ação pode ser considerada sutil, mas achei bem clara a ideia de: divirtam-se e nos ajude, gratuitamente, a divulgar ainda mais a marca e a mantê-la no topo das paradas de sucesso! Isso por que nos fizeram, logo na entrada, quase jurar de pés juntos, que iríamos postar as fotos nas redes sociais com a hashtag determinada por eles e a frase ordem do dia. Esqueci, pois o moço bonito que pedia para repetirmos em coro percebeu que eu não ia fazer nada daquilo e ficou me encarando, talvez para me inibir ou me fazer mudar de ideia. 

Devo admitir que a estratégia é muito boa e funciona, tanto que estou participando aqui, no meu Blog.  

Em termos de Marketing é impressionante notar como a marca se firmou e se caminhou nestes 100 anos. Acertou na embalagem como ninguém. Não é só do refrigerante que as pessoas gostam, mas da cor, do formato, das variações temporárias que surgem para renovar, atualizar e manter a marca no topo, sempre voltando ao seu formato tradicional, já consagrado pelo público.





Refrigerante é o carro-chefe, mas na exposição foram mostrados outros objetos que carregam a marca para que ela seja vista como pop, atual, moderna, símbolo de status. Vimos obras de arte e artistas, por exemplo, brincando com a marca; até em guitarras e capas de disco elas já foram parar. Associadas com lanches rápidos de bronze, personalidades e obeliscos emblemáticos, distribuem a alegria da sua presença pelo mundo.

Senti falta dos anos 1980 na exposição: nada dos iô-iôs ou dos engradados com as garrafinhas miniaturas ou dos jingles tão famosos por aqui. Talvez seja uma exposição mundial, que privilegiou apenas o que foi produzido para a comemoração dos 100 anos da garrafa ou do que é famoso em todo mundo. Mas fez falta para o público brasileiro, creio que não apenas eu notei esse fato. Seria bacana rever antigos os comerciais, sempre um grande sucesso no recreio das escolas, onde a garotada cantava as musiquinhas e fazia jogos com elásticos, com as mãos ou em coreografias que a turma toda conhecia.

Falando assim, logo sou eu a comemorar 100 anos de vida...rs!




Foi ressaltado pelos monitores que nos acompanharam pela viagem ao passado, como foi projetada a garrafa, alguns dos outros modelos antigos, e o mais interessante, a experiência sensorial proporcionada aos visitantes que podiam sentir a temperatura ideal, tocar na garrafa giratória para perceber que de qualquer ângulo se percebe que é o refrigerante daquela marca, ou que mesmo em fragmentos é possível saber que trata-se de uma garrafa específica.

Em outra sala, quando a pessoa se aproximava da tela, sua imagem era refletida em relevo numa espécie de caixa de areia colorida tecnológica, muito bacana para fotografar, especialmente se fosse com a garrafinha na mão! Não para mim, mas para a maioria que fez questão de exibir o produto na imagem. E davam todo tempo do mundo para as fotos, sempre nos lembrando de postar nas redes sociais.  





E por falar em fotografia, quem resiste a uma dessas cabines de montagem que faz uma foto instantânea? Nem eu escapei, mas foi pela diversão e pelo retrato registrado com pessoas queridíssimas que estavam comigo: Claudio Patez, Washington, Domingos, Valérias I e II. 








E por falar em pessoas queridíssimas que estavam comigo... o programa foi um convite do Alexandre, do curso de Publicidade e Propaganda, que trabalhou no evento exibindo sua belíssima figura e simpatia! Além de eventos ele faz trabalhos como modelo fotográfico, desfiles e arrasa por aí. Foi generoso em dividir conosco a informação do evento, e de fato aprendemos mais sobre a marca, vivenciamos experiências divertidas e passamos um momento juntos que foi bastante agradável, sem contar a visita ao parque Villa Lobos em plena semana que se comemora o dia do Meio-Ambiente, pois sou fã do trabalho desenvolvido pelos irmãos, cujo nome do parque é uma homenagem.








Aliás, a instalação da tenda é estratégica, fica bem na entrada do parque junto à estação de trem, para não ter como não ver! Tudo extremamente bem pensado, com foco na ação de Marketing do começo ao fim. 

Não é à toa que a marca é líder no seu segmento e referência em Marketing para toda e qualquer outra empresa que queria saber como se faz uma boa divulgação, criar vínculos com o consumidor, lembrança, afeto e novos adeptos, sempre.

Parabéns pelos 100 anos da garrafa Coca-Cola e ao pessoal de Marketing, sempre incrível no que faz.

Talita Godoy
06/06/2015    

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dia do Meio Ambiente - 05 de junho



   Deveria ser feriado, mas não é. Como também deveria ser lembradoa todo instante, e quase nunca é, ao menos numa cidade como São Paulo, em que não sei o que acontece com o lixo seco que eu junto e jogo no latão de recicláveis. 

Ao passar pelo portão ele vai embora e quem sabe para aonde? 

E das nascentes dos rios, quem cuida? Há muitos anos conheci a do rio Tietê, em Salesópolis, interior do Estado. Era uma propriedade particular, mas parece que foi dominada por algum tipo de órgão público, na finalidade de preservá-la. Não inspirou muito a minha confiança não. 

Há muitos anos, também, tomei conhecimento da real situação do problema de uma iminente dalta de água em São Paulo. Eu, uma jovem estudante me perguntava por que o governo não tomava providências a tempo. Era ingênua demais, e ainda sou!  

Nos pedem para economizar como se houvesse salvação sem que eles façam urgentemente alguma coisa concreta - de concreto. E salve o dia do meio ambiente, numa cidade onde cada vez menos vemos o verde, ele sumiu em meio ao mercado imobiliário, que ainda não entrou no esquema de vigilância e por enquanto segue feliz e sorridente, mas o que deve ter de coisa errada ali, nem imagino... ou só imagino. 

Dia do meio ambiente para quê, se cada vez mais o que vemos é desmatamento, da Amazônia, por exemplo, continua. Alguém forte se importa? 
Precisam de mais lugar para o pasto, desmatam e dão muita água para o boi beber, imagina quanta? Você pode ficar sem, mas a criação de gado continua firme e forte, para o gado não vai faltar nada, nem água, nem pasto. 

Aparelhos eletrônicos também, sabe o quanto consomem de água para ser produzir qualquer um deles? Procure saber, é um susto descobrir que nos pedem para reduzir o consumo de água no que é básico, e até cortam ou fazem o rodízio que não é rodízio nos bairros mais pobres da cidade, sem tocar na produção dos eletrônicos. Talvez por que os impostos que as empresas pagam justifique a preferência. Para elas não vai faltar água, nem energia.

Estão produzindo mais uma usina geradora de energia no Pará. Já ouviu falar de Altamira? Belo Monte? Área ocupada por habitantes nativos que foram despejados sem a menor piedade. Quem se importa? E o lucro da usina, não vale mais? Não, não vale, desalojar pessoas da sua vida habitual me parece uma crueldade, nada seria compensador quando se fala de uma vida toda em que a pessoa luta para ter um pedaço de terra e de repente perde tudo para a construção de uma usina, bem ali, onde eles vivem. 

Índios? Quem se importa? Leva para outro lugar por que aqui vai passar o desenvolvimento, pe disso que o povo precisa. Que povo? Se eles podem viver com tão pouco, ou com nada, por que entramos nessa roda viva que é o consumo e não conseguimos mais puxar o freio???

Sabe que fiz isso de uns dois anos para cá? Experimentei viver com menos agonia, com menos consumo, e deu muito certo. Trabalhei menos, andei menos, gastei menos, fiquei mais em paz e continuo feliz do mesmo jeito. 

Não se pensa mais em qualidade de vida, ou mudram o seu sentido para o "ter". E para quê? Deixamos que o mercado nos diga tudo o que devemos fazer, seguir, como agir e até sobre o que falar, como pensar. Isso não é demais???

Outro dia, falando com um grupo de pessoas, os deixei impressionados com o meu pessimismo em relação a quase tudo: será possível gerar sustentabilidade para as próximas gerações? Há diversidade possível no mundo que se possa respeitar e viver em paz? O racismo e outros preconceitos são possíveis de se combater com leis? Educação no nosso país, tem chance de um dia acontecer de fato? 

Amor so próximo, então, esquece, não se sabe mais o que é isso. Como preservar a natureza se nem as pessoas se respeitam pelas ruas? Olhe em volta para ver o que digo, o tempo todo é notícia de crimes idiotas, cometidos por pessoas indignas, e no dia seguinte vão se repetir. Quanto vale a vida???

Crise de otimismo sim, ou melhor, de pessimismo, contudo, o que não admito é que sair do meu padrão e desistir de fazer a minha parte, pois se não posso mudar o mundo, posso ao menos criar um ambiente agradável para eu viver, e talvez por isso viva mais só do que acompanhada! A intolerância me atinge em cheio por vezes... Anda difícil encontrar pessoas com este mesmo foco. Gente com aparência boa tem de monte por aí, mas se importar de verdade com o meio ambiente, com valores simples que vêm de berço, isso anda meio difícil. 

Assisti a um vídeo que circulou esses dias, do filósofo Leandro Karnal comentando sobre a ilusão de muitas pessoas achando que o problema da corrupção do país se resolve tirando o partido político atual do poder. Ilusão acreditar que isso resolve, afinal, todo mundo comete atos ilícitos numa boa, achando que não tem problema, estamos no país da corrupção! Não há quem não cometa uma falha sem fazer aquela cara de "e daí"?! Não é a raça de políticos a única responsável pelo nível em que chegamos. E creio que ainda vamos afundar um pouco mais. Nem adianta rezar!

A coisa vai mal, e não é pelo meu momento de pessimismo que digo isso não, é porque vejo aquelas cenas de novela na vida real, um passando a perna no outro, armações que dão certo, maldades sem restrições, tudo pela sensação de poder, que também considero falsa, tanto como as pessoas que se julgam possuidoras dele. Que coisa ridícula, que feio puxar o tapete dos outros e sair de fininho, sem ser percebido. Será que dormem em paz? Pior que sim, ao menos eu acho. 

Em homenagem ao dia 05 de junho, assisti ao filme Xingu. Fiquei pensando por quanto tempo mais o povo indígena vai resistir e existir. Também havia lido uma grande reportagem da Revista Realidade sobre a Mamazônia, dos anos 1970, aliás, não apenas uma grande reportagem, as 150 páginas da revista deram espaço a uma edição especial, contando o que se passava por lá, denunciando a posse de terras e o desmatamento sem medida. Já naquela década o fato era visto como uma escandalosa destruição de um patrimônio sagrado da natureza. E assim, foi, e assim é até acabar - ou pretendem parar algum dia???




Não existem mais Vilas Boas, nem Chicos Mendes, nem aqueles poucos ícones da defesa da natureza e dos nativos. Parecem que todos morreram, ou restaramtão poucos que não se ouve nem falar quem são, mas a luta não foi em vão, isso me inspira.

   


Espero que o meio ambiente encontre forças para se vingar da destruição que causam a ele...duro é que todos sofrem as consequências, inclusive quem nada fez para prejudicá-lo. Sinceramente? Não quero estar aqui para ver. Sorte da minha mãe, que viveu os últimos anos numa cidade do interior, limpa, com muita água, cercada de pessoas de bem, e partiu para o seu fim da vida acreditando que nós ficaríamos bem. Sorte dela. 

Também espero por dias melhores, em que eu encontre mais uma vez uma causa pela qual lutar. Segurando uma bandeira se vai mais longe, se cria mais sentido para a vida. Por enquanto hoje minha alegria foi provar a mim mesma que não preciso viver trabalhando como louca para ter dinheiro, gastar tudo e sentir aquela falsa sensação de felicidade. Tirei o foco do consumo e parece que me acalmei, mas ver o mundo assim, como a coisa anda, é desanimador. 

Tudo bem se eu achar o botão para desligar a luz. Iludida sou mais feliz!

Recomendo os filmes "Xingu", sobre a saga dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas, criadores do Parque Nacional Xingu, em defesa dos índios, e "Amazônia em Chamas", sobre os seringueiros e o grande defensor da selva, Chico Mendes.

Procure saber o que citei acima, quanto custa um bife no seu prato, ou melhor, o processo todo, até que ele chegue lá. Também o custo de produção dos eletrônicos, em termos de meio ambiente.

E viva 05 de junho - Dia do Meio Ambiente....!!!


Aguardando por dias melhores - fazendo o mínmo para que eles existam...



Talita Godoy
04/06/2015